quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aniversário de Morretes - Parte II - Fotos da área rural

Morretes é uma cidade privilegiada por suas belezas naturais. Quem não conhece ficaria encantado com as paisagens do Porto de Cima, Barreiros, Anhaia, Marumbi, América de Baixo, América de Cima, Sambaqui e outras. Hoje vou postar algumas fotos da área rural e aqueles que desejarem participar da enquete desta semana escolham uma foto, marquem na bolinha à esquerda da enquete e cliquem em VOTAR.
 

Foto 01 - Cachoeira

Foto 02 - Porto de Cima
       
Foto 03 - Agricultura
       
Foto 04 - Trilha
    
Foto 05 - Complexo Marumbi


Foto 06 - Salto dos Macacos
    
Foto 07 - Barreiros


Foto 08 - Gado bovino

Foto 09 - Criação de búfalos
   
Foto 10 - Igreja do Sambaqui

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aniversário de Morretes

Outubro é o mês de aniversário de Morretes, sempre muito festejado. As comemorações começam logo pela manhã com parada escolar, belos desfiles de carros alegóricos e outras atividades sociais e esportivas por todo o dia.
Lembro do toque da alvorada, bem cedinho, e do baile no Clube 7 de Setembro que encerrava as festas com pompa e circunstância.
Morretes tão cantada em prosa e verso através dos tempos e retratada em tela por nossos célebres pintores artistas, e muitos outros que aqui vêm a procura de inspiração completará 277 anos no dia 31 de outubro.

Eleja uma, entre as várias fotos urbanas abaixo,  a mais bonita de Morretes na enquete ao lado:



fig. 01 - Ponte Velha


fig. 02 - Vista do Marumbi


 fig. 03 - Largo Lamenha Lins


fig.04 - Procissão de Corpus Christi


fig. 05 - Igreja Matriz


fig. 06 - Restaurante Casarão



fig. 07 - Restaurantes Ponte Velha e Madalozo


fig. 08 - Hotel Nhundiaquara

fig. 09 - Rio Nhundiaquara e Pico do Marumbi



domingo, 26 de setembro de 2010

Hospital e Maternidade de Morretes

INAUGURAÇÃO DO NOVO PAVILHÃO
DO HOSPITAL E MATERNIDADE DE MORRETES


Discurso proferido em 31 de outubro de 1953


Cumprindo uma das mais importantes partes do programa dos festejos da data máxima da nossa terra, eis-nos aqui para inaugurar, com a honrosa presença do Exmo. Sr. Dr. Bento Munhoz da Rocha Netto, ilustre Governador do Estado, o novo pavilhão do Hospital e Maternidade de Morretes.

Não foram os sacrifícios sem conta que a execução desta obra exigiu dos responsáveis pelos destinos deste hospital, e não teria este ato o significado todo especial de que se reveste.

Quando abnegados cidadãos deram início à construção do prédio original, ainda estavam sob a impressão daqueles que, com espírito derrotista, não acreditavam poder esta casa manter-se, nem alcançar o índice de aproveitamento à altura das necessidades do nosso município. Assim foi que pensaram serem suficientes aquelas duas alas iniciais e o pavilhão da enfermaria. Porém de tal forma revelou-se a utilidade deste estabelecimento, que em breve passou a abrigar um número cada vez maior de enfermos, tornando-se pequena a sua enfermaria para os doentes pobres aqui internados gratuitamente, bem como para os que, possuidores de recursos, utilizavam os quartos particulares. As parturientes da seção maternidade, de início retraídas, foram aos poucos se habituando a utilizar os recursos médicos e a segurança que lhes oferecia esse ambiente.

E assim é que o nosso hospital, inaugurado há apenas três anos e meio, logo sentiu a necessidade de uma ampliação. Os recursos financeiros eram escassos, entretanto, a administração inteligente e a abnegação de muitos, possibilitou a construção deste novo pavilhão, onde vamos encontrar um conjunto cirúrgico montado sob a exigência da técnica moderna, uma sala de laboratório, rouparia, novas enfermarias, instalações diversas e uma sala reservada para os que possuem fé e têm a felicidade de se encontrar abrigados sob o manto da cristandade: é uma sala reservada para uma capela, que mãos de senhoras bondosas da nossa sociedade brevemente completarão, inspiradas por sentimento de caridade e religiosidade.

Ao inaugurarmos esta construção, é justo que se preste homenagem, por demais merecida, àqueles a quem se deve este grande empreendimento, aos cidadãos que possuem o dom divino, aqueles que são inspirados pelo ideal de servir. O Sr. Dr. Pedro Alves Baraúna, como presidente da Associação Mantenedora do Hospital e Maternidade de Morretes, é um homem que já conquistou a estima e o respeito dos Morretenses, no exercício de sua nobre profissão e no trato dos assuntos que dizem respeito ao progresso de nossa terra e à felicidade do nosso povo. Joaquim Luz de Souza, membro-tesoureiro, tem dispendido boa parte do seu tempo na tarefa preciosa de cooperar nos trabalhos deste hospital. Antonio José Gonçalves Filho é o benemérito de sempre, tornando cada vez mais merecida a placa de bronze que contém o seu nome no pórtico desta casa. Lucília Pires é a enfermeira-chefe diligente e dedicada, sendo sua mocidade inteiramente dedicada aos enfermos, fazendo da sua profissão um sacerdócio. O Dr. Alcídio Bortolin, ora em viagem pelo estrangeiro e aqui representado por seu progenitor, é o profissional competente, é o médico capaz e o diretor diligente, enérgico e previdente. A distinção de que foi alvo recentemente, ao receber o diploma de membro do Colégio Internacional dos Cirurgiões, em congresso realizado em Curitiba neste ano festivo do centenário do Paraná, foi das mais merecidas e encheram de justificado júbilo seus amigos de Morretes. Não poderíamos ser mais felizes, no convite que fizemos três anos atrás, àquele moço que saíra havia pouco dos bancos acadêmicos. Ele possuía, indiscutivelmente, inato o seu talento e tinha bem em mente o juramento de Hipócrates:

“Ao exercer a medicina, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze para sempre a minha vida e a minha arte de boa reputação entre os homens”.

E o Dr. Alcídio Bortolin, verdadeiramente, goza dessa boa reputação.

Finalmente prestamos nossa sincera homenagem ao Exmo. Sr. Dr. Lauro Lopes (aqui representado pelo Dr. Pedro Baraúna), ilustre representante do nosso Estado na Câmara dos Deputados, cuja atuação, no Rio de Janeiro, tem sido exercida no sentido de beneficiar o nosso Paraná, e de especial modo as associações de beneficência, através de verbas que, mercê de seu prestígio, coadjuvado pelos ilustres demais representantes paranaenses na Câmara Baixa, têm sido incluídas, a favor do nosso Estado, nos orçamentos da União. O nosso hospital e Morretes muito devem a Lauro Lopes, pelo que, merece o nosso fervoroso agradecimento.

Eram estas, meus senhores, as palavras que desejávamos pronunciar nesta solenidade, tradutoras da satisfação que nos vai n’ alma pela conclusão desta obra e pela passagem, hoje, do aniversário de fundação da nossa estremecida terra.

Fazemos ardentes votos de que as altas autoridades e visitantes aqui presentes possam aquilatar o nosso esforço na visita que ora nos fazem, e que continuem a volver suas vistas para este Hospital e Maternidade, amparando-o moral e materialmente, servindo de estímulo aos que, trabalhando nesta casa pela saúde do povo, querem contribuir para um Brasil mais feliz e mais forte.

Tenho dito.


Presentes à inauguração o Governador Bento Munhoz da Rocha e autoridades

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia da Pátria

Independência ou morte
Tela de Pedro Américo



Os cidadãos Morretenses reúnem-se mais uma vez para comemorarmos, no dia de hoje, a Independência da nossa Pátria. Nosso passado está pleno de exemplos dignificantes, em que nosso povo pôs em evidência os seus sentimentos de brasilidade. Nossa história contém páginas de ouro, escritas com a bravura dos nossos soldados, guiados por seu ideal patriótico ou por senso de justiça. (...)

Dentre as passagens mais emocionantes da História do Brasil, testemunhas de que aquela Independência conquistada por D. Pedro I, José Bonifácio e tantos outros, haveria de ser conservada com o sacrifício mesmo das próprias vidas dos brasileiros, desejamos citar o episódio do Tenente Antonio João. O Tenente que, em 1865, com uma pequena escolta na fronteira de Mato Grosso, pressentiu a invasão das tropas paraguaias, foi convidado a se render. Respondeu a seus adversários que jamais o faria e, depois de arrasado com seus companheiros, deu oportunidade a que fosse encontrado um bilhete seu com estes dizeres: “sei que morro, mas o meu sangue e o dos meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo da minha Pátria”. (...)

Em Monte Castelo, Montese e outros palcos de lutas foram escritas páginas de heroísmo, e é orgulho para nós, Morretenses, termos contribuído com a participação dos nossos moços, entre eles: Olavo Rebelo, Batista Vieira, Francisco Ribeiro, Avelino Cordeiro, Laudinor Bornancin, Santino Martins, Benigno Pinto Filho, Hurbano Ribeiro Filho, Ernesto de Oliveira (Catarina), Pedro Trevisan Filho, Humberto Brites, Pedro Scucato, Pedro Costa, Douglas Negrão e Tarquino Feliciano. (...)

O povo brasileiro, a par desses dotes de bravura, possui o sentimento religioso, que o faz feliz e certo da proteção divina.

Essa é a razão pela qual comemoramos a data magna nacional, fazendo realizar, em praça pública, uma Missa em ação de graças. A Missa ao ar livre nos associa com a exuberante natureza que nos evoca fatos que falam à nossa alma e aos nossos corações. Quando, a 22 de abril de 1500, a frota de Pedro Álvares Cabral aportava às costas da nossa Pátria, vinham com ele alguns franciscanos, encarregados de incorporar a nova terra ao reino de Cristo. E eis que, a 26 de abril, apenas quatro dias após a descoberta, já era celebrada, no local denominado Coroa Vermelha, a primeira Missa em terras brasileiras. Alguns dias após, 1º de maio, celebrava Frei Henrique de Coimbra outra Missa festiva com solene sermão alusivo ao ato de posse da terra. Era a primeira vez que, no silêncio daquelas matas intermináveis, soavam as campainhas para anunciar a presença de Jesus Sacramentado.

Morretenses! Elevemos nossos agradecimentos a Deus pela proteção que tem exercido sobro o povo brasileiro e exortemos a nossa mocidade a seguir o exemplo de seus ancestrais, de amor, de bravura, de sacrifícios, em prol da Independência da nossa querida Pátria.

Tenho dito
Primeira Missa no Brasil
Tela de Victor Meirelles - 1860


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Olympio Trombini

Revendo alguns recortes de jornais da coleção do meu pai um deles me chamou atenção - é o programa de governo de Olympio Trombini, prefeito de Morretes (1944-1945).
Como estamos em época de eleição e, principalmente pelo conteúdo dos seus vinte princípios, acho interessante a sua divulgação.

Eis aqui os vinte princípios de Olympio Trombini, - seu programa administrativo e base fundamental da grandeza desta terra, em cuja protecção, neste momento invocamos contrictos, os manes de Rocha Pombo, Rômulo José Pereira e José Gonçalves de Moraes.

Morretenses de boa vontade! Seja também vosso o nosso lemma:

“TUDO PELA GRANDEZA DE MORRETES”

PROGRAMA:

1º Disseminação, sob formas e modalidades diversas, do ensino em geral como base primordial da formação do homem-padrão (...)

2º Abertura de várias artérias rodoviárias, com todos os requintes da technica moderna ligando entre si os centros productores aos centros consumidores.

3º Abertura, em tempo opportuno, das artérias rodoviárias: a) ligando a cidade de Morretes a futurosa Villa de Guaratuba. b) ligando o bairro do Sambaquy ao Morro Alto.

4º Conservação das artérias do Município em perfeito estado (...)

5º Incentivar o desenvolvimento agrícola, facilitando aos interessados, de algum modo os meios de acquisição de sementes (...)

6º Installação da Rede de Água e Esgotos, dentro das posses materiaes do Município.

7º Uma Câmara Municipal composta de homens prôbos e capazes (...)

8º A applicação das rendas municipaes (...) será feita de modo equitativo e justo (...)

9º Toda e qualquer lei, emanada do legislativo municipal e sanccionada pelo Prefeito, só entrará em vigor depois de decorridos trinta dias da sua publicação no Diário Official do Estado.

10º Regimem de ampla publicidade dos balancetes e dos demais actos do Prefeito, especialmente nos que se referirem à arrecadação e applicação dos dinheiros públicos.

11º Auxílio material a “Banda Musical Euterpina”, a fim de que ella não venha a succumbir a míngua de recursos e, antes possa preencher os fins a que se destina.

12º Assistência hospitalar gratuita aos indigentes.

13º Desenvolvimento de um programma que facilite e dissemine conhecimentos, inda que mui rudimentares, de hygiene educacional.

14º Combate sem tréguas às moléstias palúdicas e à ankilostomiase ou “amarelão” (...)

15º Exames veterinários das rezes abatidas nos matadouros (...)

16º Amparo incondicional à lavoura da banana e à indústria da aguardente (...)

17º Incentivar, de harmonia com o Estado, a colonização das terras devolutas ainda existentes neste município.

18º Regimen de rigorosa economia, em se tratando de despesas supérfluas ou prescindíveis, condição essencial para o perfeito equilíbrio orçamentário nos futuros exercícios financeiros (...)

19º Isenção de todos e quaisquer impostos municipaes, pelo prazo de cinco annos, para a firma individual ou empreza collectiva legalmente constituida, que se proponha explorar a indústria cerâmica em geral, no povoado de “Barreiros”, nella empregando um conjunto de machinarios modernos e aperfeiçoados e invertendo nesse emprehendimento um capital nunca inferior a cento e cinqüenta contos de reis.

20º Regimen de honestidade, equidade e justiça, inspirado na phrase do meigo Nazareno: "A Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus”.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Getúlio Vargas

Discurso proferido em 26 de agosto de 1954,
por ocasião do falecimento
do ex-Presidente, Dr. Getúlio Dorneles Vargas *
         
É sob a mais profunda emoção que tomamos da palavra para manifestar o sentimento que nos vai n'alma pelo desaparecimento do Exmo. Sr. Presidente da República Brasileira, Sr. Dr. Getúlio Dorneles Vargas.
O extinto grande Presidente foi, sob inúmeros aspectos, a figura mais destacada da República. Já havia sido Ministro da Fazenda, Deputado e Governador do seu Estado natal, Rio Grande do Sul, quando pela primeira vez ouvimos falar do seu nome. É que, sendo nós adolescentes, no período anterior a 1930, não nos chegavam aos ouvidos o nome e as atividades patrióticas do cidadão que se iniciava em carreira brilhante, destinada a figurar em relevo na História do Brasil.
Foi exatamente na manhã de 3 de outubro de 1930, que estando na estação ferroviária de Morretes, para acompanhar uma delegação esportiva que se dirigia à cidade da Lapa, ouvimos falar no nome de Getúlio Vargas, por ter sido retardada a partida do trem em consequência da deflagração de uma revolução chefiada pelo mesmo. Daí por diante a nossa mocidade foi se desenvolvendo sob o influxo do chefe da revolução, do chefe do Governo Provisório, do presidente constitucional, do Chefe do Estado Novo, do senador e novamente do presidente constitucional, nessa sequência admirável, que só o tempo poderá julgar e que a história registrará como um dos períodos altos da vida da nossa Pátria. Foi por essa razão que nos acostumamos a admirar a obra do grande presidente, embora combatendo o bom combate no terreno das idéias políticas, com lealdade, de modo democrático.
Se nos perguntarem quais as realizações do Presidente Vargas mais admiramos, diremos que foi no terreno social que sua ação se fez sentir de modo mais evidente, sendo extraordinários os benefícios advindos da instituição da Previdência Social. Na área econômica, diremos que a fundação da indústria pesada, como Volta Redonda e outras, aliadas à organização da Petrobras e Eletrobras, que visam à independência econômica do Brasil.
Nos negócios exteriores, louvamos a política de boa vizinhança e a participação do nosso Brasil na Segunda Grande Guerra Mundial, quando o governo de Getúlio Vargas soube responder à altura a afronta à soberania nacional, ao serem afundados em nossa costa pacíficos navios cargueiros, perecendo tripulações inocentes.
Homem de extraordinária inteligência, de tino administrativo e, sobretudo, político sagaz, o grande extinto conseguiu soluções favoráveis para os mais complexos problemas, em situações as mais delicadas da vida nacional.
A sua popularidade jamais foi atingida por qualquer outro homem público do Brasil. A maneira pela qual foi reconduzido ao poder no ano de 1950 foi consagradora. Cometeu erros, porque errar é humano, e porque nem sempre de sua vontade emanaram determinados atos que deram ensejo ao pronunciamento das Forças Armadas Brasileiras.
Mas uma coisa ficou definitivamente positivada: foi o sentimento de brasilidade, a honra, o amor às classes mais humildes, que o grande Getúlio Vargas pôs em evidência, culminando com o sacrifício de sua própria vida.
A notícia de sua morte, de modo tão trágico, chocou profundamente o coração de todos os brasileiros.
Tivemos uma penosa sensação na manhã de terça-feira. Um amigo nos deu a notícia em primeira mão. A nossa emoção foi grande, mas ainda acreditávamos pudesse vir um desmentido. Poucos instantes após, um grupo de crianças, que na sua incompreensão e inocência saía alegre do grupo escolar ao lado, por terem sido suspensas as aulas, trouxe-nos a triste confirmação da grande tragédia que, na Capital da República, acabava de abalar toda a nação.

Elevemos nossas preces a Deus todo-poderoso, pelo descanso em paz, no seio do Senhor, da alma do grande brasileiro. Peçamos à Santíssima Virgem, padroeira dos aflitos, pelo consolo e conforto da digníssima família enlutada. Roguemos aos céus, pela manutenção da Paz, da Ordem e do Progresso no seio do povo de nossa Pátria.

Doutor Getúlio Dorneles Vargas..., é verdade o que escrevestes! ... saístes da vida... entrastes para a história!

Tenho dito.

* Discurso publicado na pg. 81 do livro Tenho dito

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Barreiros hoje

A Estrada de Barreiros aberta e inaugurada na gestão do prefeito Luiz Brambilla, em 1930, está sendo asfaltada. Penso que dos 6 km de extensão a metade já está pronta.
Enquanto esperamos a conclusão dos trabalhos, que tornará a excursão mais confortável, convido vocês para um passeio virtual a um dos sítios mais bonitos de Morretes.
Veja o Nhundiaquara, sereno, em busca do mar, o complexo Marumbi, majestoso, sob qualquer ângulo, as belas residências, chácaras bem cuidadas, plantações, criações e muito mais, uma verdadeira festa para seus olhos.



Início da estrada que leva a Barreiros


Região de Barreiros



Rio Nhundiaquara




Vista do Iate Clube de Morretes






Piscina do Iate Clube

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Luiz Nenê Brambilla *


Luiz Nenê Brambilla

Eu já falei neste Campo Santo quando a morte roubou a mocidade em flor de Chiquinho Caetano, orgulho do esporte Morretense. Eu já discursei aqui quando Nenê Trombini, meu grande amigo, arrebatado pela Parca, baixava à sepultura. (...) Eu não poderia, portanto, meus caros conterrâneos e parentes, deixar de discursar ante o túmulo de Luiz Brambilla, cujo corpo ao baixar hoje ao jazigo, leva consigo pedaços do meu coração.

Será o Morretense amante de sua terra ou será o genro extremado que se manifesta nestas sinceras palavras? Eu o afirmo que são ambos, porque em Luiz Brambilla, meus amigos, eu vi no convívio diário de vinte anos, o homem em sua vida pública, o homem em sua vida comercial, o homem em sua vida privada. E não soube qual delas mais admirar, se como Prefeito de sua terra em gestão brilhante e profícua; se como o político prestigioso e hábil reunindo em torno de si os elementos mais destacados da vida pública do Estado; se o cavalheiro de fino trato pontificando na vida social da cidade; se o sócio fundador da Sociedade Beneficente e Recreativa dos Operários de Morretes; se o sócio benemérito do Clube 7 de Setembro; se o Morretense entusiasmado e interessado por tudo que se relacionasse com o progresso da nossa terra.

Eu não sabia como dizia, se admirar mais o homem público ou o comerciante que após quarenta anos de atividade profícua, espalhando benefícios pelos quatro cantos do nosso Município, viu de um momento para outro, por ser bom e honesto, ruir seu monumento. Foi como se arrebentasse o navio, e ele, qual comandante intemerato, abandonado pela maior parte da tripulação, sobrando-lhe dos amigos somente os mais leais em número reduzido, suportou toda a borrasca, levando-se para um porto calmo, onde consolidou a estima e o conceito dos seus concidadãos, mercê de uma existência pobre de bens materiais, porém digna.

O homem da vida privada, eu o aponto como modelo de honradez e das virtudes morais e cristãs. (...) O carinho que dispensava aos seus, levaram-no a sofrer pelos outros, e ainda durante a grave e longa doença, vimo-lo muitas vezes, entre fortes dores, esquecer de tudo, menos, porém, de pequeninas coisas de que necessitassem e principalmente da saúde de sua esposa, de suas filhas e de suas netinhas.

Seu Nenê! Meu caríssimo sogro!

(...) A saudade ficará eternamente gravada no coração daqueles a quem tanto amou e por quem foi sempre bem amado. Receba o meu saudoso adeus. A minha eterna gratidão por tudo que fizeste por mim. Receba o último beijo de D. Cota, de Odete, de Olguinha de Belinha, Lígia, Lia, Eliane, Marília e Carlito.(...)
Nada mais posso dizer. Eu não falo pelos lábios. Falo pelo coração.
Adeus!
Descanse na Paz do Senhor!
Dona Cota

* O discurso na íntegra encontra-se no livro Tenho dito, p.61

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Dois milagres de Nossa Senhora do Porto

Em agosto de 1956, a imagem de Nossa Senhora do Porto foi levada a Curitiba, a pedido dos sócios do Centro Morretense, agremiação que reunia os filhos e amigos da terra de Rocha Pombo. Após alguns dias na capital a imagem da santa retornou a Morretes, onde foi recebida com festa, saudada pelo meu pai que discursou em nome dos morretenses.


Quando Nossa Senhora do Porto, Excelsa Padroeira de Morretes, regressa de sua viagem vitoriosa a capital do Estado é com o maior júbilo e o coração transbordante de alegria que A vemos de volta em nosso seio, para receber dela as bênçãos que dadivosamente distribui.(...)
Neste instante, tão emocionante, ficamos a meditar sobre há quanto tempo Nossa Senhora do Porto nos ampara e nos protege! Quando o Rio Cubatão, hoje Nhundiaquara, era porto obrigatório de paragem de canoas, era uma obrigação costumeira dos canoeiros virem depor aos pés da Virgem a sua melhor oração, cada vez que chegavam.(...)
Depois tivemos conhecimento dos principais milagres da Virgem, dentre eles aquele em que um dos filhos da viúva João Malucelli (Bepim), mais um irmão e um primo, salvaram-se milagrosamente de um raio, porque em tempo oraram com fervor a Nossa Senhora do Porto. Abrigados que estavam da chuva impiedosa debaixo de uma bananeira, só tiveram tempo de mudar de lugar passando para outra, e eis que uma saraivada de faíscas atingiu o abrigo anterior. Esse milagre foi retratado por Th. De Bona numa tela que recebeu o nome O Raio.


Outro milagre mais empolgante aconteceu com o falecido Júlio Vila Nova e seus filhos Levito e Itália, que elevaram suas preces e foram salvos da fúria do mar após o furacão ter partido o mastro de sua frágil embarcação, quando atravessavam a baía de Paranaguá. O mar, que era bonançoso, num momento tornou-se qual fera indomável. O desolado pai sabia que ia perecer porque a embarcação não permitia a defesa contra as ondas. Cheio de resignação, ele entregou sua sorte e a dos seus estremecidos filhos à proteção da incomparável e Milagrosa Santa. Daí a momentos o vento amainou, o mar tornou-se qual plácido Nhundiaquara e eles salvaram-se, para serem testemunhas de tão grandioso milagre!(...)
Este fato também foi reproduzido por Th. De Bona e recebeu o nome de Tempestade.

Lançai as vossas vistas, ó Mãe eterna e Senhora Nossa, sobre Morretes e seu povo, fiel guardião das tradições dos nossos antepassados, daqueles que nos transmitiram o amor e veneração por Vós, tocando os nossos corações com os sentimentos sublimes do temor a Deus e amor ao próximo.
Salve Maria!

As telas O Raio e Tempestade encontram-se na Igreja Matriz de Morretes
O discurso acima pode ser lido no livro Tenho dito, p. 103

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O ideal de servir

Amigos do blog

No dia 31 de outubro de 1977, meu pai recebeu o título de Cidadão Benemérito de Morretes. Em seu discurso de agradecimento, publicado no livro Tenho dito, página 153, ele falou que pensava como Gabriela Mistral, que disse em um dos seus poemas:

Toda a natureza é um anelo de servir.
Serve a nuvem, serve o vento, serve a chuva.
Onde houver uma árvore para plantar, deves plantá-la tu;
Onde houver um erro a corrigir, corríge-o tu;
Onde houver um trabalho e todos se esquivam, aceitá-o tu (...)

Marquinhos, por Th. De Bona
O Ideal de Servir*

Onde com mais intensidade vivemos quando possuídos do ideal de servir? Nas grandes cidades ou nos lugares pequenos, geralmente pobres?
Eis uma pergunta que não é difícil responder, visto que nas cidades pequenas – é evidente – mais se faz necessária a assistência ao próximo e mesmo a mútua assistência.
Dirão outros que nos grandes centros afluem necessitados de todas as regiões, com penoso acesso e permanência, a procura de alimentos, medicamentos e trabalho, fugindo de situações desfavoráveis, muitas vezes insuportáveis, ingressando em sua maioria em bairros pobres, outros concorrendo para a formação de míseras favelas, que se tornam campo propício à aplicação da assistência social, quando da iniciativa do governo, e do desvelo de piedosas senhoras, ou de sociedades beneficentes, quando da iniciativa particular.(...)
Já nos sítios, nos lugarejos, nas cidades pequenas, o sentimento cristão de caridade se faz sentir em toda a plenitude (...)
Mas não é só com o que diz respeito à pobreza ou à doença que se exercita o ideal de servir. Por quantas outras razões e em quantas outras oportunidades se manifestam o sentimento da bondade,.o altruísmo? Poderia ser um ideal servir até como criado, se bons os patrões; servir em vários sentidos a amigos; utilizar-se da sabedoria para ensinar; do amor, para amar; valer-se da capacidade de curar, para minorar os sofrimentos físicos; buscar forças da razão para amparar moralmente; julgar, fazendo justiça. Finalmente, a conquista suprema do ideal de servir – consagrar-se aos serviços de Deus, da Pátria e da Família.

* Este artigo pode ser lido na íntegra na "orelha" do livro Tenho dito, e foi publicado no O Infalível, de Morretes, e no O Antoninense, em 1968.

domingo, 18 de julho de 2010

Professora Iracema Bittencourt


Hoje, dia em que o contador de visitas do meu blog registrou 1.000 acessos, quero agradecer a atenção dos meus leitores e homenagear D. Iracema Bittencourt.
Na memória registramos principalmente os fatos marcantes, aqueles que mais chamaram nossa atenção, e comigo não foi diferente. Eu tinha 7 anos e fui matriculada no velho Grupo Escolar Miguel Scheleder - Morretes - no prédio que depois abrigou o Ginásio Estadual Rocha Pombo. Como a escola estava com a capacidade esgotada algumas crianças foram transferidas para as salas de uma casa na Rua XV, inclusive eu. Era meu primeiro dia de aula e a D. Iracema, segurando minha mão, me levou para o novo endereço. Ao entrar na sala vi as carteiras duplas, e sobre elas um objeto desconhecido. Era um TINTEIRO - de louça - encaixado no tampo das carteiras. Eu muito tímida, em pé, centro das atenções, pois interrompemos a aula com a nossa chegada, sem saber o que fazer com as mãos, meti o dedo no buraco do tinteiro e qual não foi a minha surpresa quando verifiquei que meu dedo saiu azul! Ah! D. Iracema que vergonha! Só não fiquei de cabelos em pé porque usava tranças...


Cidadã benemérita de Morretes


A turma da Escola Normal do Estado (hoje Instituto de Educação de Curitiba) comemorou no mês de novembro p/passado as bodas de prata da sua formatura. Há 25 anos, portanto que aquelas moças idealistas iniciaram o sacerdócio do ensino, fazendo das crianças os homens do Brasil do futuro.
Entre as jovens daquela turma estava a Srta Iracema Bittencourt, filha do saudoso e honrado morretense Bernardo Bittencourt e de sua esposa também de saudosa memória D. Francisca Bittencourt.
Ingressando no magistério no ano de 1939, no Grupo Escolar Miguel Scheleder, a nova professora exerceu as suas funções até 1946. Nesse ano, a insigne mestra D. Maria Luiza Bertz Merkle foi removida, a pedido para a direção de outro grupo na capital do estado, e a professora Iracema foi investida no elevado cargo de Diretora do nosso principal estabelecimento de ensino.
Em todos estes anos houvesse D. Iracema com capacidade, inteligência, dedicação e senso de direção elogiáveis. É ela dotada de notável capacidade de trabalho e de estudos, tendo se formado Contadora no ano de 1958 e está cursando atualmente a Faculdade de Filosofia de Paranaguá. Acumula os cargos de Diretora do grupo e Inspetora do ensino primário, bem como o de professora do ginásio e da escola normal, de tudo se desincumbindo a contento e está sempre presente às iniciativas que visam o bem comum e o sentimento de civismo da nossa mocidade.
Portadora de esplêndida formação cristã a professora Iracema Bittencourt fez-se merecedora das homenagens que lhes foram prestadas na oportunidade do 25º aniversário de sua formatura. As educadoras morretenses fizeram inaugurar em sessão festiva o seu retrato no gabinete do grupo escolar. A Câmara de Vereadores fez-lhe entrega, em sessão solene, do título de Cidadã Benemérita de Morretes, e finalmente os amigos ofertaram-lhe um jantar.
Agradecendo aos que lhe saudaram a distinta morretense, com a voz embargada pela emoção, produziu belas orações.

*Artigo escrito por MLB e publicado em novembro de 1964