quarta-feira, 6 de julho de 2011

Comarca de Morretes

A elevação de Morretes à categoria de Comarca constituía um justo anseio do povo desta comuna, desde o tempo do saudoso Coronel Rômulo José Pereira, o grande vulto da história política e administrativa de nossa terra, cuja obra está reclamando a pena de um historiador para perpetuar-lhe o nome.
Posteriormente, na gestão do Major Luiz Brambilla também foram tomadas providências junto ao Governo Afonso Camargo. Obstáculos irremovíveis naqueles tempos impediram se alcançasse esse desiderato. Mas não esmoreceram os dirigentes que se seguiram.
O Prefeito Tenente Pacífico Frederico Zattar julgou ver realizada essa aspiração, ao principiar o ano de 1938, quando o Exmo. Sr. Dr. José Pacheco Júnior, Juiz de Direito, instalou a Comarca de Morretes, por força da então nova divisão judiciária do Estado, infelizmente modificada logo em seguida, continuando Morretes na inferior condição de termo. Desde então, os Morretenses voltaram à luta, a fim de conquistar a tão almejada independência judiciária.
De minha parte, orgulho-me de ter sido um cooperador, embora humilde, quer pelas colunas da imprensa que represento, quer como membro do partido político que incluiu esse anseio entre as reinvidicações do município, quando das campanhas eleitorais: as belas batalhas da democracia.
(...)
Agradeço não em nome das autoridades e dos poderes porque estão todos aqui condignamente representados, mas sim, em nome dos munícipes, representados por aqueles que têm seus assuntos por decidir, por aqueles que têm suas terras por legalizar, pelos que, por falta de recursos não puderam se locomover até a Comarca para tratar de seus assuntos. (...)
Desejo prestar, aqui, sincera homenagem ao Meritíssimo Juiz Dr. Luiz de Albuquerque Maranhão Junior pelo brilho com que preside esta solenidade.
(...)
Concluo esta simples oração com a crença de que o Município de Morretes, nesta nova fase, como Comarca, e revigorado como se acha pelas iniciativas públicas e particulares municipais e pelo apoio que lhe vem emprestando o Governo do Estado, marchará para um futuro grandioso, comparado aos seus áureos tempos do Império.
Tenho dito.

 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Erupção vulcânica em Morretes!?*




Complexo do Marumbi

  No dia 21 de agosto de 1879, bem antes da inauguração da ferrovia Paranaguá Curitiba, o Pico do Marumbi com 1547 metros, foi escalado pela primeira vez por Joaquim Olympio de Miranda, Bento Manoel de Leão, Antônio Silva e Antônio Messias.
Em maio de 1902 um grupo de amigos partiu de Morretes com o propósito de escalar a montanha, o que foi realizado com sucesso e para comprovarem o feito os intrépidos marumbinistas resolveram atear fogo na mata. O fogaréu foi visto pelos moradores de Paranaguá, Antonina e Morretes levando pânico às populações, pois pensavam tratar-se de um vulcão em erupção!
Esta façanha foi contada pelo Sr. Olympio Trombini, que participou da expedição, e transmitida pelo neto o Sr. Italo Trombini, ao reporter e pesquisador Henrique Schmidlin, o "Vitamina" em 1979, ano do centenário da primeira escalada. O reporter teve ensejo de apreciar uma fotografia da ocasião, na qual estão impressos os seguintes dizeres: Foi esta expedição que em maio de 1902 deitou fogo à macega, na serra do Marumbi, o que ocasionou o povo a supor um vulcão, e em Paranaguá entoar TE DEUM por esse motivo.
O chefe da equipe foi obrigado a publicar no jornal A REPÚBLICA uma nota de esclarecimento e assumido a responsabilidade do “causo”.

Em pé, da esquerda para a direita: Emílio Grotti, Alexandre José Soares Taveira, Bernardo D'Oliveira Bittencourt, Olympio Trombini, João Gobbo (timoneiro), Ewaldo Frederico Pettersen, Emílio Dalla Stela.
Sentados: Antônio Orreda, Vicente Luiz de Oliveira, Manoel Antônio dos Santos, Doro Cauduro.
Deitado : José Nogueira (chefe).
Estes os expedicionários da ascensão no ano de 1902, pela face norte.
* Publicado no jornal O Estado do Paraná, em 19 de agosto de 1979

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Casa cinco irmãos

A inauguração de uma construção nova em Morretes é coisa a que poucos estão acostumados, porque nossa terra passou por um longo período estacionário, após ter sido ao tempo do Império uma das mais florescentes cidades do Paraná, para em seguida ser uma cidade histórica, cheia de tradições e sempre louvada por ser berço de homens ilustres nas letras e nas artes.

Hoje: Armazem do Sidney
Na época atual, felizmente Morretes retoma o ritmo do progresso e, assim sendo, muitas e a muitas inaugurações como esta, se Deus quiser, haveremos de assistir, para a grande satisfação dos filhos deste rincão, que ao menor acontecimento relacionado com sua vida econômica ou social, religiosa ou política se agitam jubilosos, ávidos de expansões de fraternidade e cooperação.
Esta inauguração é, portanto, um desses acontecimentos a que nos referimos, reunindo aqui neste novo estabelecimento comercial um grande número de Morretenses, que fizeram questão de, com sua presença, testemunhar aos proprietários sua admiração pela jornada que concluíram.
O amigo Benedito Antunes de Oliveira construiu este belo prédio e montou esta aprimorada loja, não com o dinheiro herdado de parentes ricos falecidos, nem com o resultado de negócios fáceis dos quais usufruíssem os tão em moda “lucros extraordinários”. Montou esta loja com o seu esforço pessoal, o seu desejo de vencer. Perseverança, tino, e ainda com a satisfação de dotar a nossa cidade de um estabelecimento moderno, apresentável em nossa principal artéria. Aliou-se a esses elementos a ajuda de D. Madalena Malucelli Antunes de Oliveira, que por ser forte soube repartir, nos momentos difíceis as suas obrigações de dona de casa, de mãe, e de esposa de comerciante, que é uma profissão bastante difícil, para os que sabem honrar os compromissos assumidos. Houve, por fim, o trabalho incansável por domingos e dias feriados, por madrugadas e noites, dos jovens filhos do casal.
Esta casa se chamará Cinco Irmãos, porque reúne a mocidade radiosa de cinco moços Morretenses. Rendemos, pois, nossas homenagens a Orleans, Orlete, Orley, Sidney e Osmar Antunes de Oliveira, fazendo ardentes votos para que todos gozem saúde e harmonia e continuem trabalhando com o mesmo entusiasmo, garantindo a prosperidade e a felicidade da firma e da família do nosso muito prezado amigo Benedito Antunes de Oliveira.

Tenho dito.


Discurso proferido durante a inauguração da
“Casa Cinco Irmãos”, de Benedito Antunes de Oliveira,
em junho de 1946

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Notícias de Morretes

É tempo de festa no céu - Meu pai nasceu em 29 de abril de 1914 e minha mãe no dia 12 de maio de 1915.


Último aniversário em vida de Marcos De Bona

Foto de 1980, na casa da rua Alferes Poli

Carnaval no Clube 7 de Setembro - anos 60

Marcos e Olga, 16 de julho de 1938


Abro este espaço para anexar o convite do Instituto Mirtillo Trombini, onde está exposta a Via-Sacra de Th. De Bona, em comemoração do jubileu da Igreja Matriz de Morretes. 




Além das 14 telas da grande obra estão expostos os dois quadros intitulados "O Raio" e "A Tempestade", que representam dois milagres de Nossa Senhora do Porto.


O Raio

A Tempestade

Não deixem de visitar o excelente site do litoral, com belas paisagens e texto multilingue:

www.nossolitoraldoparana.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Hospital e Maternidade de Morretes - RAIO X - Parte III

Como já é do conhecimento de todos o Rotary doou para o nosso hospital um aparelho de RAIO X.
Informo abaixo a relação das entidades que colaboraram para a referida aquisição, porém a luta não acabou. Agora há a necessidade urgente de arrecadar fundos para a readaptação do local onde o aparelho será instalado - ala José Lourenço Malucelli.

Vocês podem fazer sua doação através da
Caixa Econômica Federal

Agência 0396 - Morretes
Operação: 003
Conta Corrente: 878-7 
Rotary Club de Morretes - Raio X
*Valor do Equipamento: R$ 60.928,00

Menos as participações:
Fundação Rotária Internacional: R$ 26.188,50
Distrito 6950-EUA: R$ 11.764,00
Distrito 4730-BR/PR: R$ 5.873,50
Rotary Morretes-BR/PR: R$ 1.600,55
Pinhais-BR/PR: R$ 2.100,00
Rotary Curitiba-Cristo Rei-BR/PR: R$ 1.700,00
Rotary Condado Citrus Central-EUA: R$ 1.207,00
Rotary Homosassa Springs-EUA: R$ 935,00
Rotary Crystal River-EUA: R$ 935,00
Rotary Kings Bay-EUA: R$ 935,00
Rotary Inverness-EUA: R$ 935,00
Rotary Woods Sugarmill-EUA: R$ 935,00
Grupo Trombini-BR/PR: R$ 5.819,45
* Dados fornecidos pelo Sr. Éric Hunzicker, presidente do Rotary Club de Morretes.

Aos amigos que me acompanham neste blog meus votos de Santa e Feliz Páscoa, extensivos aos seus familiares.
Abraços
Ligia

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Hospital e Maternidade de Morretes - RAIO X - Parte II



Os interessados em contribuir na campanha de Reestruturação - unidade de RAIO X do Hospital e Maternidade de Morrretes podem contatar o Sr. Eric Hunzicker nos seguintes telefones:(41) - 3462-1989, 3462-4249 e 9628-5748.

ou efetuar o despósito de qualquer valor na:
Caixa Econômica Federal
Agência 0396 - Morretes
Operação: 003
Conta Corrente: 878-7 - Rotary Club de Morretes - Raio X

Lema do Rotary Internacional:
"Dar de Si Antes de Pensar em Si"

INVESTIMENTOS COMPLEMENTARES a serem adquiridos:
1 – Readequação do espaço físico (projeto, construção civil, pintura e sinalização).

2 – Instalações técnicas (elétricas, hidráulicas e revestimento das paredes – sala de RAIO X).

3 – Equipamentos, móveis e utensílios (acessórios, refrigeração, mesas, cadeiras, bancadas e armários).

4 – Sistemas de gestão (computador, impressora, software – controle operacional/financeiro e impressos).

5 – Capacitação (uniformes, treinamento técnico e de atendimento).

6 – Fundo de reserva (compra de insumos e despesas não previstas).



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hospital e Maternidade de Morretes - Aparelho de RAIO X

No dia 6 de junho de 1950 um jornal da capital publicou a notícia que o hospital de Morretes, inaugurado em 31 de outubro de 1947, receberia uma aparelho de RAIO X.
 (Do correspondente):
"Nossa reportagem visitou o HMM com o propósito
de divulgar o movimento do mês de maio findo".

Verificamos, com satisfação, o quanto de útil está sendo o novo estabelecimento, o que anima os responsáveis pelo seu funcionamento, a continuação do trabalho insano – ontem para a construção, hoje para manutenção.
Não foi em vão a semente lançada há muitos anos por Eurico Schlemm, Domício Costa, Carlos Cardoso, Clemente Consentino, Pacífico F. Zattar e outros, pois que hoje semeia frutos graças a capacidade para grandes empreendimentos do mesmo Dr. Domício Costa, José Lourenço Malucelli, do Dr. Pedro Baraúna, de Antonio José Gonçalves Filho, Marco Antonio Malucelli, de Arlindo de Castro e tantos outros impulsionados pelo mesmo sentimento de humanidade.
Nosso HMM que se acha quase que perfeitamente aparelhado gozará ainda nos próximos meses de um complemento indispensável: é a vinda de um aparelho RAIO X, cuja doação por parte do Serviço Nacional da Tuberculose, já nos foi assegurada pelo eminente Deputado Lauro Lopes.
O movimento do mês de maio p. findo, como dissemos, foi grande, havendo sido registrada a internação de 34 doentes, realizada 14 operações e 5 partos, além dos indigentes que no seu consultório o médico diretor atende gratuitamente, em elevado número todos os dias.
Tem sido usada medicação moderna, incluindo transfusão de sangue dentro dos recursos terapêuticos.
A direção da Casa em bôa hora foi confiada ao Dr. Alcídio Bortolin, elemento jovem, porém de conceito já firmado tanto na cirurgia com na clínica.
De grande valia tem sido a assistência e cooperação do Dr. Baraúna, médico de largo tirocínio e elevada reputação, diretor do Posto de Higiene do Estado, do Posto de Puericultura de Morretes e clínico em geral.
Elogiável, também, o trabalho da incansável da competente enfermeira srta. Lucy Alves Pires e o desempenho muito satisfatório da parteira snra Emília Menin Gomes.

Hoje, sessenta e um anos depois, em meio a maior crise da história do nosso hospital, uma notícia alviçareira – nossa cidade vai ganhar um aparelho de última geração, graças ao Rotary Clube de Morretes que enviou à Fundação Rotária Internacional, um projeto solicitando o aparelho.

A Fundação não só atendeu, como doou U$ 15,000 dólares do valor do RAIO X, que custou U$ 32,500 dólares.
O aparelho está garantido, mas a instalação não vai ficar barata ...

quarta-feira, 23 de março de 2011

SOS Morretes - Parte II

ANIVERSÁRIO DE MORRETES


Ao entrarmos no dia de Morretes, sentimo-nos impulsionados a expandir nossa alegria, rendendo graças a Deus pela felicidade e prosperidade que desfrutamos hoje, resultado dos nobres e elevados sentimentos e capacidade de trabalho dos seus amorosos filhos e dedicados amigos.
Comemoramos, neste momento, o ducentésimo décimo sexto aniversário do ato dos oficiais da Câmara da Vila de Paranaguá (...) Lembremos Nossa Senhora do Porto, sob a invocação da qual, por provisão do bispo de São Paulo, em 29 de abril de 1812, nossa terra foi elevada à categoria de freguesia.
Recordemos a data de 1º. de março de 1841 que elevou Morretes a vila, em seguida ao que, pela Lei nº. 188, de 24 de maio de 1869, fomos finalmente elevados à categoria de cidade.
Recordemos a fase áurea de Morretes, a sua contribuição para a Guerra do Paraguai, em que o Batalhão nº. 70, sob as ordens do Tenente Vaz Lobo, pagou com sangue o tributo do seu patriotismo, cumprindo assim os deveres de brasileiros. Volvamos nossas vistas para a opulência de 1880, os inúmeros engenhos de erva-mate, as minas de Penajóia, a vida social e literária, as tertúlias de Fernando Amaro, a presença do Morretense Manoel Alves de Araújo, como ministro do Império, a promoção de Frederico Ferreira de Oliveira, aqui nascido, para almirante da Esquadra Brasileira, o abade Escolástico de Faria, que teve a terra Nhundiaquarense como berço, e foi grande em sua vida de santo e de sábio. O aparecimento de O Povo, em sua campanha republicana, sob a direção do então esperançoso jovem Rocha Pombo, assistido pelo poeta de Sempre Vivas, José Moraes.
Voltemos nossos pensamentos para as lutas pela sobrevivência, logo que a estrada de ferro, por doloroso paradoxo, no afã de estender o progresso para o planalto, tirou da nossa terra a primazia da indústria e do comércio. Morretes decaiu, porém não esmoreceu. Seus filhos trabalharam, modificaram seus meios de subsistência, e eis que, após quarenta anos de pouco ou quase nenhum desenvolvimento trilhamos novamente a senda do progresso. (...)
Morretes de hoje não é somente berço de recordações felizes. Morretes de hoje é terra integrada no progresso do Paraná e do Brasil, progresso lento, mas por isso mesmo sólido. Desapareceram os engenhos de erva-mate, está inexplorada a mina Penajóia, não são utilizados os sambaquis, mas temos a nova indústria do açúcar, a continuação das safras aguardenteiras, possuímos a indústria do papel, do papelão, das pastas mecânicas. Grandes lavouras. Comércio honesto e sólido. Temos vida própria.
No campo educacional, um ginásio, além do bem disseminado ensino primário. No terreno da assistência social, somos amparados pelas organizações existentes. No que se refere à saúde, temos modernos Posto de Puericultura e Hospital Maternidade. É fato concreto o próximo calçamento da cidade e novo serviço de força e luz.
Aí está o progresso do momento. Eis como nos encontra o 31 de outubro de 1949. Um motivo de júbilo para todos nós.
A diretoria do Clube 7 de Setembro, nesta magna data, congratula-se com todos os associados e com o povo em geral, e renova seus propósitos de contribuir para o progresso de nossa terra, com a conclusão, em meados do próximo ano, da nova sede do clube, empreendimento que está sendo possível graças à contribuição espontânea e animadora, de todo o quadro social. Que o povo de Morretes, irmanado, sagre de vitória ao acesso, como cantou Silveira Netto, para nossa felicidade.

Tenho dito.

* Discurso proferido em 31 de outubro de 1949, p.49 do livro Tenho dito; Morretes e Morretenses nos discursos de Marcos Luiz De Bona

quarta-feira, 16 de março de 2011

SOS Morretes

Nasci e passei a minha infância em Morretes. Subi em árvores, apanhei muita goiaba, carambola, jabuticaba e outras frutas que tinha no quintal da minha casa. Brinquei com minhas amigas, inclusive nos dias de enchente quando nos deliciávamos com a água da chuva. Aliás, não sabia nem o significado de calamidade pública! Tomei banho no rio Nhundiaquara, de águas cristalinas, romântico, belo e repetidamente cantado em prosa e verso, admirado, fotografado e reproduzido em telas tanto por turistas como por morretenses que não cansam de admirá-lo.

Rio Nhundiaquara
Foi com imensa tristeza que o vimos agora furioso, destruidor, assustador com suas águas barrentas, castigando tantos moradores da nossa cidade que ficaram sem casa, móveis, sem comida, água potável, sem roupa, sem vintém!!!

...depois da enchente

Ponte velha

...depois
 
Restaurantes

...depois

Ponte da igreja

...depois

Rio Marumbi

Restaurante Lubam invadido pelo Rio Marumbi

É muito grande o número de desabrigados, difícil calcular os prejuízos que atingiram agricultores, comerciantes, empresários, imensa a tragédia, e pequenos os recursos para a recuperação da cidade. Por isso não podemos medir esforços para ver Morretes brilhando novamente e morretenses felizes podendo recitar os versos de Gonçalves Dias:

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá (...)


Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores (...)


Complexo Marumbi

quarta-feira, 2 de março de 2011

Carnaval


O carnaval está chegando. Lamentável que não seja mais como antigamente, quando o que realmente importava era alegria e diversão! Nos salões os ingredientes da folia eram confetes, serpentinas e até – pasmem os jovens – lança perfume! As músicas e letras das marchinhas de muita criatividade animavam a todos, ninguém ficava parado! As fantasias eram simples, sem luxo – não havia concurso para eleger a mais original, a mais luxuosa...

Era comum os rapazes colocarem na cabeça um quepe branco e completar o “traje” com um colar de havaiana. Havia também os piratas, palhaços, índios e pierrôs. Já as garotas se divertiam de colombina, cigana, havaiana, bailarina e outras estilizadas.

Num tempo mais antigo, por volta de 1920, surgiu o “corso carnavalesco” que teve origem na tentativa de reproduzir as batalhas de flores dos carnavais europeus, mais sofisticados, como em Nice cidade do sul da França.

O corso consistia no desfile de automóveis enfeitados, com a capota arriada, repletos de foliões fantasiados, que percorriam as principais ruas da cidade, cantando, lançando confetes e serpentinas uns nos outros e também nos espectadores. Não era uma diversão barata, pois o carro era imprescindível e quem não possuísse um teria que alugar para os dias de carnaval. Os corsos carnavalescos aconteceram durante uns 20 anos – aproximadamente de 1920 a 1940 e Morretes acompanhou a moda. Na foto abaixo Pierrôs e Colombinas participam de um corso no carnaval de 1934. Num Ford sem capota, aparecem Olguinha e Marquinhos De Bona – ela sentada no paralama e ele ao volante, Esmeralda e Bortolo Scucatto, Miloca Bittencourt e outros que na dúvida não vou nomear. (Se alguém reconhecer outros foliões favor me avisar!).
   

Com o passar dos anos os carros tiveram seus designers modificados, as ruas ganharam outra dinâmica e por volta de 1960 os desfiles das escolas de samba e os bailes foram ganhando espaço. O corso ficou  na memória dos que viveram naquela época e nas fotos como estas. Há contudo um movimento de pessoas com o intuito de reativar o corso carnavalesco.



Corso carnavalesco pelo Brasil

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ESTAÇÃO DAS ARTES - Morretes

Morretes ganhou, ou melhor, a população e os turistas que visitam a cidade ganharam um novo ponto de visita - a ESTAÇÃO DAS ARTES, recentemente inaugurada. Faz parte do PROGER - Programa de Geração de Renda, é administrada pelo PROVOPAR – Programa do Voluntariado Paranaense e foi construída com recursos provenientes do leilão da varredura de soja do Porto de Paranaguá, em terreno cedido pelo município (boa parceria).
Com espaço bonito e bem planejado a ESTAÇÃO DAS ARTES quer valorizar e incentivar o setor artesanal do nosso Estado. Conta com um palco, espaço para eventos e sete lojas onde são vendidos:
Artesanato em fibras naturais, madeiras etc.
Trabalhos manuais: bordados, crochês, patchwork, mosaicos e outros
Produtos da agroindústria local: queijos, salames, pães, compotas, geléias, conservas, balas, chips, cachaças etc.
Alimentos agroecológicos in natura e manufaturados, e sorvetes de vários sabores.





Artesanato de diversas naturezas podem ser admirados e adquiridos  na ESTAÇÃO DAS ARTES - localizada na Rua Visconde do Rio Branco, entre a Estação Ferroviária e a Caixa Econômica

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Homenagem a minha mãe

Silêncio e Paz
Foi levada para o País da Vida
Para que fazer perguntas?
Sua morada, desde agora, é o Descanso,
Sua roupa é a Luz. Para sempre.
Silêncio e Paz, que sabemos nós?
 
Meu Deus, Senhor da História e dono do ontem e do amanhã, em Tuas mãos estão as chaves da vida e da morte. Sem perguntar-nos, levaste-a contigo para a Morada Santa e nós fechamos nossos olhos, baixamos a fronte e, simplesmente, dissemos:
Está bem. Seja.
Silêncio e Paz.
 
A música foi submergida nas águas profundas e todas as nostalgias gravitam sobre as planícies infinitas.
Acabou-se o combate. Para ele já não haverá lágrimas, nem pranto, nem sobressaltos. O sol brilhará para sempre em seu rosto e uma paz intangível assegurará definitivamente suas fronteiras.
Senhor da vida e dono de nossos destinos, em Tuas mãos, depositamos, silenciosamente, este ser querido que foi embora.
Enquanto, aqui embaixo, entregamos à terra seus despojos transitórios, que sua alma imortal durma, para sempre na paz eterna, em teu seio insondável e amoroso, ó Pai de misericórdia.
 
Silêncio e Paz.

PS A todos os amigos meus agradecimentos pelos emails recebidos e em especial esta oração que estou compartilhando com vocês.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Hino a Rocha Pombo

Homenagem a Rocha Pombo (3º a partir da esquerda) no Colégio Baptista,
 Rio de Janeiro - 1933, por ocasião da sua eleição para a
Academia Brasileira de Letras

(Dedicado à cidade de Morretes, à sua mocidade e ao seu povo, em homenagem ao primeiro centenário de nascimento do grande escritor, que transcorrerá em dezembro de 1957).

                                  Letra de Francisco Pereira da Silva
                                 Música do maestro Angelo Antonello,
                                regente da Banda da Força Militar do Estado


Celebremos agora o centenário,
de um notável, emérito escritor,
cujo longo trabalho extraordinário,
deve ter o nosso unânime louvor!

Estribilho:

Salve, salve Rocha Pombo,
cuja pena varonil,
escreveu para honra nossa,
a sua “História do Brasil”.

No estudo encontra a fonte apetecida,
e sem resquícios de vaidade vil,
vai consumindo os anos de sua vida,
a escrever a vida do Brasil.

Salve, salve Rocha Pombo, etc.

Tal tributo de amor que nada vence,
traduza ao nobre autor de fibra rara,
o carinho do povo morretense,
na voz do caudaloso Nhundiaquara!

Salve, salve Rocha Pombo, etc.

Que ele receba, ó glória verdadeira,
nesta homenagem póstuma triunfal,
a gratidão da pátria brasileira,
e a saudade de seu berço natal!

Salve, salve Rocha Pombo, etc.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Rocha Pombo - Parte II



José Francisco da Rocha Pombo

Rocha Pombo foi um escritor  incansável  e sua obra literária que abranje história, romance e outros gêneros de prosa atestam  a inteligência privilegiada do jovem morretense.
Iniciou-se na literatura com o romance  A Honra do Barão, publicado em 1881, que foi um grande sucesso. No ano seguinte  Dadá, e outros como Petrucello, Hospício foram também recebidos com euforia pela crítica da época.
A Supremacia do ideal e Religião do Belo, são ensaios de grande elevação moral onde mostra caminhos e exemplos para a juventude.
Nova crença, publicada em 1887,
Visões, em 1888,
Contos e Pontos, em 1911, e
Notas de viagem, em 1918 são  outros trabalhos de Rocha Pombo. Entretanto, foi como historiador que  ele se revelou uma das inteligências mais profundas do Brasil. O Jornal do Comércio, em sua edição do dia 21 de maio de 1922, assim escreveu a respeito do historiador: É hoje o maior historiador do Brasil. Os seus vastos conhecimentos, a sua já longa prática de historiógrafo, a sua instrução geral, deram-lhe naturalmente uma posição excepcional nas nossas letras.  
Seus primeiros ensaios como historiador foram os livros História da América e o Paraná no centenário, ambos publicados em 1900. Em Rocha Pombo é admirável o seu amor à terra natal, demonstrado nos livros a História do Paraná e Nossa Terra.
Entre os anos de 1905 e 1917, escreveu a sua grandiosa obra História do Brasil, em dez volumes, que segundo Rodolfo Garcia representa, no setor, a mais considerável obra da nossa literatura pela superfície imensa que cobriu - das origens do Brasil aos dias presentes.
Pelo exíguo espaço disponível deixo de relacionar outros títulos da imensa produção literária de Rocha Pombo, que foi eleito para a Academia de Letras do Paraná, para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e mais tarde para a Academia Brasileira de Letras, onde infelizmente não chegou a tomar posse, tendo falecido aos 75 anos, no dia  26 de junho de 1933.
Seu corpo foi sepultado no Rio de Janeiro, onde vivia, porém, em 1966 seus despojos foram entregues a Academia Paranaense de Letras, em Curitiba. Uma comissão organizada por esta instituição levou a urna com seus restos mortais para  a sua cidade natal, Morretes, onde foi inumada na praça pública que leva o seu nome. 

"A criatura temporal irá para a terra, mas o que houver nela de divino ficará eternamente no mundo como herança dos que vão aos que têm de vir"   Rocha Pombo



Em 3 de dezembro de 1966 o mais ilustre filho de Morretes retorna a sua terra natal.





quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Rocha Pombo


Busto de Rocha Pombo
Praça Rocha Pombo - Morretes



José Francisco da Rocha Pombo historiador, professor, jornalista, deputado provincial, precursor na fundação da Universidade do Paraná, nasceu no dia 4 de dezembro de 1857, no Anhaia, pitoresco sítio da cidade de Morretes.

Aos 18 anos assumiu a regência de uma cadeira de ensino primário, na localidade em que nascera. O magistério deve ter influenciado seu espírito, encaminhando-o para a carreira das letras e foi no jornalismo que Rocha Pombo iniciou sua vida literária.

Seguidor das idéias republicanas fundou em Morretes no ano de 1879 o semanário “O Povo”, em que debate temas de grande interesse social, entre eles os que dizem respeito ao abolicionismo e à República. 
Em 1880 transferiu-se para Castro, onde continuou a lida jornalística e em 1883 dirigiu “Ecos dos Campos”, em Curitiba em 1886 - a “Gazeta Paranaense”, em 1887 - o “Diário Popular”, e em 1892 o “Diário do Comércio”.

Transferindo sua residência para o Rio de Janeiro em 1897, tornou-se assíduo colaborador do “Correio da Manhã”, um dos mais importantes veículos da imprensa brasileira da época.

Embora não sendo político militante destacou-se como legislador - Deputado Provincial (1886/1887), e em 1916/1917, quando Deputado ao Congresso Legislativo do nosso Estado.

Como desejava ver sua terra enriquecida pela cultura idealizou a criação de uma Universidade em Curitiba. Seu projeto foi aprovado através da Lei Estadual nº63. Rocha Pombo chegou a organizar programas e regulamentos, e lançou a pedra fundamental do futuro edifício na Praça Ouvidor Pardinho, em 1892. O Governo Federal que não aprovou a iniciativa e a eclosão da Revolução Federalista de 1894 puseram por terra seus planos. Curitiba ganhou sua Universidade em 1912 – Victor Ferreira do Amaral e Nilo Cairo foram os grandes batalhadores e vencedores dessa causa, mas na história da nossa Universidade o nome de Rocha Pombo é uma referência viva até os dias atuais.