quarta-feira, 14 de julho de 2010

Humberto Malucelli, o amigo

Meu pai, com todo o seu talento para se expressar, gostava de escrever e por três anos, de 1932 a 1935, foi colaborador do jornal Morretes Esportivo e do Eco Morretense. De 1934 a 1959 foi decano dos correspondentes do Diário da Tarde, Estado do Paraná e Gazeta do Povo, sendo admitido na Academia de Letras José de Alencar na categoria de Jornalista.
Ao organizar o material para publicação do livro Tenho dito; Morretes e Morretenses nos discursos de Marcos Luiz De Bona, resolvi incluir alguns dos seus artigos escritos para homenagear amigos da sua querida terra natal.



Humberto Malucelli


Da velha Itália, para ajudar a fazer a grandeza do Brasil, vieram os 6 irmãos Malucelli, no ano de 1876. Radicando-se em Morretes, Marcos, Batista, Lourenço, João, Antonio e Domingos não foram meros expectadores das lutas pela sobrevivência das famílias estrangeiras que desembarcaram julgando ser este país a Terra da Promissão. Eles sentiram como os outros a desproteção do governo, a dureza da terra, a adversidade do clima.
Uma dádiva, porem, trouxeram de além-mar: o amor pelo trabalho que foi a razão de ser de suas vidas.
A família foi se tornando numerosa; os seis irmãos, filhos do tronco JOÃO-MARGARIDA, foram se tornando por sua vez chefes de outras tantas famílias numerosas, constituídas em sua maior parte de filhos homens que hoje, já na terceira geração no Brasil, expandem o nome MALUCELLI como padrão de honra.
A família, no início, teve um chefe na figura patriarcal do velho Marcos. A sua atuação foi enérgica e serena, na condução daqueles que aos poucos, com trabalho continuado, deixando cair seu suor na terra dadivosa, levantaram o patrimônio extraordi´nário dos dias atuais.
Marcos Malucelli, que é hoje nome de rua em Morretes, faleceu no ano de 1929. Desde então, a Empresa, por sua organização, não mais requereu a existência de um chefe que fosse ao mesmo tempo chefe da família. Todavia, vários homens do clã destacaram-se pelos negócios e equilíbrio de conduta, merecendo situações de comando.
Há pouco faleceu Humberto Malucelli. Filho do sub-tronco JOÃO-MARIA, o seu desaparecimento causou dolorosa impressão no seio da família, onde sua voz, ponderada e sensata era acatada. A bondade era o traço predominante do seu caráter. O seu trabalho, desde os duros tempos da lavoura, até aos atuais onde exerceu cargos de direção nas indústrias e funções públicas de alta relevância, inclusive a de Diretor de Departamento e Deputado Estadual, foi sempre no sentido do bem comum, preocupado que sempre se achava na boa administração, na assistência social e no prestigiamento de toda e qualquer iniciativa de cunho coletivo.
Sua educação possibilitava o trato lhano e bondoso com todas as pessoas que dele se aproximavam; o seu grande coração fazia-o o chefe de família amorosíssimo de todos conhecido, junto de sua venerada mãe, de sua virtuosa esposa, prendadas filhas e queridos netos.
Mas para nós outros, das relações de amizade do saudoso Humberto, o vocábulo mais inesquecível será o de AMIGO. Porque junto dele este termo não era formal; este termo encerrava afeição; a dedicação e a estima a que se evidenciava tanto nas horas alegres como nas amargas dos que com ele conviviam.
A nossa saudade será grande, porém amenizada pela certeza de que temos que a memória de Humberto Malucelli será sempre reverenciada entre seus familiares, seus amigos e entre todos aqueles que se espelharem no belo exemplo de sua vida.



*Artigo publicado no livro Tenho dito, p. 185

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Estrada de Barreiros





O texto abaixo foi transcrito do jornal Diário da Tarde, de 29 de setembro de 1930.


ESTRADA DE BARREIROS

Ontem, domingo, a prefeitura de Morretes inaugurou a estrada de rodagem Morretes-Barreiros. Esse importante trajeto que sulca parte interior do território morretense, ao lado de sua importância comercial tem a histórica que, convém relembrar, foi a primeira via de comunicação. Então simples picada por ali transitaram as primeiras levas desbravadoras da terra paranaense, e consequentemente fizeram-se por ali as primeiras tentativas de transporte de mercadorias que mais tarde acentuou-se, até alcançar períodos áureos de prosperidade e abundância.
Com o correr dos anos a pequena via de comunicação foi perdendo a sua importância, como escoadora comercial, devido a construção da estrada de ferro.
O prefeito Luiz Brambilla achou de suma conveniência, atendendo às necessidades do comércio local, tornar transitável esse valioso trecho que conduz ao porto fluvial do majestoso rio Nhundiaquara, onde existe um próspero povoado denominado Barreiros. Com recursos próprios construiu a aludida estrada, no que foram precisos alguns meses de trabalho incessante.
Ontem ao meio dia aproximadamente, procedeu-se a inauguração da estrada, com a presença do ilustre secretário do Interior e Justiça e Viação Sr. Dr. Ravello Junior, que representava S.Excia o Sr. Dr. Affonso Alves de Camargo, digno Presidente do Estado(...)
O cel. Luiz Brambilla acompanhado de camaristas e do secretário Aguilar Moraes foi ao encontro da comitiva oficial, que vinha em automóveis, pela estrada da Graciosa, na Granja Cary, situada no município de Porto de Cima. Em seguida os autos rumaram para a estrada Morretes-Barreiros, em cujo término encontrava-se uma grande multidão.
Todos os que estavam presentes àquela solenidade tiveram a ocasião de presenciar o desembarque de milhares de cachos de banana, cujo transporte era feito em auto-caminhões.(...)
Após a inauguração o enorme cortejo de automóveis voltou à cidade percorrendo as principais ruas. Em seguida foi oferecido à comitiva oficial, imprensa curitibana e demais convidados um opíparo almoço no Hotel Central.(...)
Após o almoço usou da palavra o Sr. Aguilar Moraes, o Sr. Rabello Junior, Cesar Alpendre e o Sr. Francisco Zicarelli Filho para isso encarregado pelos demais representantes de jornais ali presentes.(...)
Finalmente o Sr. Cel. Luiz Brambilla levantou o brinde de honra ao Sr. Affonso Camargo, Presidente do Estado, pelo que foi muito aplaudido.

ROTARY CLUB DE MORRETES CONVIDA



ROTARY INTERNATIONAL
ROTARY CLUB DE MORRETES
Sede: Casa da Amizade
Rua Antonio Gonçalves do Nascimento, 48
Morretes - Paraná

CONVITE

CONVIDAMOS PARA A POSSE DO PRESIDENTE ELEITO PARA O ANO ROTÁRIO 2010/2011, ÉRIC J. HUNZICKER, QUE OCORRERÁ NO PRÓXIMO DIA 3 DE JULHO DE 2010, ÀS 20:00 HORAS, NA CASA DA AMIZADE.
APÓS O CERIMONIAL HAVERÁ UM SINGELO JANTAR, POR ADESÃO, NO VALOR DE R$ 20,00 POR PESSOA.

Aluízio Estanislau Cherobim
PRESIDENTE

SOLICITAMOS CONFIRMAR PRESENÇA: (41) 9628-5748 ÉRIC / 3462-1989 LUCI / 3462-1514 ALUÍZIO

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Como registrar um comentário no blog

Atendendo solicitações de alguns leitores segue aqui a sequência dos passos necessários para aqueles que desejarem registrar algum comentário no blog debonatenhodito.
















Caso tenha dificuldades de visualização das imagens clique no link abaixo:

http://picasaweb.google.com.br/Ligia.De.Bona/ComoRegistrarUmComentarioNoBlog#

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Estrada de ferro da África do Sul

Como estamos em época de Copa do Mundo e a África do Sul é a sede do grande evento envio a todos um belíssimo vídeo que recebi e acredito que vocês vão apreciar.

Clique no vídeo abaixo:

domingo, 13 de junho de 2010

Centenário de Antônio De Bona, por seus netos

Jeanine, Antônio e Julio



Querido avô e padrinho Antoninho
Vô, certo dia um padre perguntou ao seu amigo:
-Qual é o maior dom que Deus nos deu?
O amigo então respondeu:
- O andar, o falar, se movimentar?
E o padre respondeu:
-A memória!! Você pode não falar, não andar, etc.. Mas na memória, podemos guardar todas as riquezas da nossa vida.
Vô, é por isso que agradeço a Deus por este dom. Poder guardar nossos momentos por mais simples que sejam.
As minhas lembranças me levam à infância, recordando com carinho o seu jeito de ao encontrar seus netos. Substituía um beijo por um aperto nas bochechas nos chamando de “cachorrinho”, expressando o seu imenso amor.
Dos almoços aos domingos, aonde a família se reunia e que cada um tinha uma tarefa. Matar e cozinhar a galinha, maionese batida à mão, o macarrão saindo do cilindro e você supervisionando tudo, para que a mesa sempre estivesse farta de alimentos e alegria de todos reunidos.
Gostava de jogar baralho com os amigos no paiol atrás da casa, mas a festa mesmo era nos intervalos. Com uma churrasqueira de tambor assava carne, ostras, etc.. Servindo a todos acompanhada com a pinguinha de Morretes.
A vó Adélia contava que quando estavam em Morretes você saía cedo para comprar o pão e só retornava na hora do almoço e sem o pão, pois parava em cada esquina e encontrava os parentes e amigos, e a risada rolava solta pela saudade, e assim colocavam o assunto em dia.
Ah! Como era gostoso de se ouvir!
Com o seu jipe azul carregava seus netos aos domingos ao passeio público. Enquanto brincávamos você sentado no banco com seu chapéu não tirava os olhos de nós.
Vô, tenho muitas saudades! Mas o que me orgulho de saber é que carrego sua semente que germinou o Saulo e a Thaís, pessoas especiais como você.
Todos nós somos seu maior tesouro, porque você também é o nosso.
Te amo, Karin.


Vô Antoninho,
Como escrever no diminutivo o meu herói?
Um homem de coração grande, consolador, generoso, vibrante, que fazia tremer tudo em volta, apaixonado pela vida, família, amigos, boa comida e bebida, um baralhinho,...meu avô, meu herói!
Aquele que eu via grande, invencível, que nos levava para lugares indescritíveis, de sonho, como domingos de sol e bichos no Passeio Público, todos os netos viajando na sua “nave” Jipe azul, sacolejando naquelas ruas de macadame, cheios de alegria, pipoca, gritos e correria pra todo lado, e ele atrás de nós arrancando os cabelos e aos berros de “catcharentos!!” (sei lá o que quer dizer!), e outras expressões impronunciáveis carregadas de algo parecido com italiano, até a hora que usava seus super poderes para arrebanhar todos, e levar-nos de volta, sãos, salvos e felizes.
Coisas guardadas na cápsula do tempo chamada coração, fortes, intensas, como o carinho daquelas mãos grandes e brutas, cabelos cheios dos caracóis cor de prata, olhos de um azul sem igual, que não existe nem na paleta de pintura do tio Theodoro, e ainda sinto o seu cheiro, seu calor, o arranhar da barba por fazer, os ecos daquele jeito alto, cheio de simplicidade e carinho de falar.
Lembranças e marcas que ele deixou, coisas do meu avô, que cheio de orgulho e carinho carrego comigo.
Julio




….Perdi meu avô, vô Antoninho, como era chamado lá em casa pela minha mãe, quando tinha 4 anos de idade (pelo menos me lembro tendo esta idade).
As poucas lembranças que tenho de meu avô são de carinho, alegria e energia!
Me lembro chegando nos fundos da casa dos meus avós, local que adorava, com aqueles degraus vermelhos que levavam para a cozinha e de onde minha vó descia para nos saudar.
O vô geralmente estava lá fora e vinha cheio de alegria, apertava minhas bochechas e dizia: “Cadê o cachorreto do vô!”
Depois disto me lembro das histórias que minha mãe contava: todas muito engraçadas, e podia criar imagens de meu avô em minha mente -- Ele se descabelando quando estava nervoso e xingando em italiano! Ele indo buscar coisas na horta dos fundos da casa para minha vó várias vezes enquanto minha vó cozinhava e pedia uma coisa por vez; “Antoninho, vá pegar uma cebolinha!”…”Antoninho, vá pegar salsinha”, etc… E como ele ficava arrancando os cabelos e dizendo para ela pedir TUDO DE UMA VEZ!
Lembro também das histórias sobre o vô colocar as crianças (Jeanine e Júlio) no trem, com este andando, para levá-los passear no Passeio Público, ou quando iam de jipe e as crianças ficavam brigando por tudo, algodão doce, pipoca e ele novamente “ficava arrancado os cabelos”!
Tenho tudo isto na memória e também as histórias emotivas de minha mãe, que contava como se sentiu amparada pelo meu avô, como se fosse uma filha, pois era órfa, nunca conheceu seu pai e tinha apenas 17 anos quando se casou com meu pai, Arnaldo, primogenito do vô Antoninho e vó Adélia.
Bem, é isto que me lembro, e é esta a impressão que guardo na memória: Um homem simples, de grande coração, que amava MUITO a família!....
Claudine Maria De Bona







Vejam também o filme de Antoninho reunido com sua família:



Centenário de Antônio De Bona, por amigos

ANTONIO DE BONA

Não posso precisar em que período de minha vida conheci Antonio De Bona chamado carinhosamente de “Antoninho”. Mas as lembranças mostram-me uma figura simpática, alegre, expansiva, irradiando saúde, muito dado a brincadeiras com seus amigos. Deixou em mim uma impressão das melhores.
O tempo afastou-o de minhas vistas, seja porque ele daqui saiu com a família para viver em outras plagas, e eu por meu turno, também me afastei para, na capital do Estado, fazer o ginásio, o serviço militar, uma curso de Contabilidade e finalmente o retorno para Morretes, onde até hoje permaneço.
Quis o destino que, conhecendo Zelinda num momento trágico, tivesse a partir dali nascido entre nós uma amizade que durou dez anos e que acabou resultando no relacionamento que temos hoje. Em nossa convivência que, para nossa felicidade ultrapassa o tempo de quatro anos, ela sempre me falou do pai como pessoa bondosa, muito humana e extremada em desvelos para com a família e principalmente os filhos, confirmando aquela impressão muito forte de bondade e alegria, que um dia ele me passou.
Por isso merece registro a tão significativa data de 12 de junho do corrente ano, quando, se ainda entre nós estivesse, o bom “Antoninho” estaria fazendo 100 anos.
Parabéns Zelinda e Zeila, ao Arnaldo onde se encontre, e aos demais descendentes de Antônio de Bona.
Nazir

sexta-feira, 11 de junho de 2010

CENTENÁRIO DE ANTÔNIO DE BONA





Filhas de Antonio De Bona prestam sua homenagem:



Antônio De Bona , meu pai

No dia 12 de junho de 1910, véspera do dia de Santo Antônio, nasce em Morretes, um anjo de cabelos cacheados e pele muito rosada chamado Antônio De Bona. Uma simplicidade imensa e um coração transbordando de amor e solidariedade. Casou-se com Adélia e dessa união teve três filhos, Antônio Arnaldo, Zelinda e Zeila.
Com a esposa e os filhos ainda pequenos foi enfrentar a vida em uma serraria num lugar chamado Passa Vinte, 20km adiante de Bocaiúva do Sul. Com as estradas e os meios de transporte muito precários, para atingir o lugar tinha-se que viajar um dia inteiro. Fico imaginando quantas saudades, quanta falta ele sentia dos familiares, dos amigos e de sua querida Morretes
Trabalhou muito deu todo o conforto material de que a família precisava, isto com muito sacrifício, mas a maior herança que ele nos deixou foi o seu exemplo de amor e respeito para com o próximo.
Obrigada meu Deus, pelo pai que o Senhor me deu, sinto orgulho de ser sua filha e seguir seus passos nesta vida.
E também porque hoje sou premiada com a presença de filhos e netos: Júlio, casado com Elinah, pais de Marina e André; Karin casada com Narciso e pais de Saulo e Thaís.
Pai, o senhor é uma das pessoas que me deixam com a sensação de ser eu uma pessoa especial.
Te amo.
Sua filha
Zelinda




Ao meu querido pai





Eu tive a grande graça de tê-lo como pai. A pessoa mais maravilhosa e bondosa que conheci, se tivesse que escolher novamente entre todos os homens do mundo você seria com certeza o meu pai. Amava a todos e tinha um carisma que conquistava. Homem de coração nobre era amigo, irmão, pai, esposo sempre dedicado. Dificilmente vou conhecer outro igual, e nunca poderei escrever tudo o que você foi para mim. Você ficou tão pouco conosco! Sinto tanto sua falta! Parecia que adivinhava que ia partir cedo, pois tinha ânsia de aproveitar a vida e conviver com os parentes e amigos. Ah! Amigos, ele tinha muitos. Visitava-os sempre que podia, não fazendo distinção de classes – a todos tratava com o mesmo carinho e atenção.
Gostava tanto de festas!!! Majestosa deve ser a festa que estão lhe preparando neste ano de seu centenário, tendo tudo que você sempre mereceu. Quisera eu estar ai para celebrar com vocês. Fico aqui com o coração apertadinho de saudades, mas feliz porque sei que está muito bem, junto a Deus e a todos que tanto ama, sempre a nos abençoar. Peço a Deus que permita que um dia possamos nos encontrar para celebrarmos juntos pela eternidade.
De sua filha Zeila, Luiz Fernando, Zair Cândido, Maurício, Sinthia, Fernanda, Paula, Nathália Lorenzzo, Bruno, Sandra, Aleksandro e Patrícia.




Zeila

quarta-feira, 9 de junho de 2010

AMOR MATERNO, por Theodoro De Bona




Theodoro De Bona, além de pintor, como todo artista, possuía também um pouco de poeta e narrou essa história como se fosse sua filha contando o caso. Ele deu o título de Amor materno e foi publicada no jornal Gazeta do Povo, no caderno G, em 16 de maio de 1997. Vale a pena ler...


Uma passagem interessante e até emocionante, aconteceu no Rio de Janeiro quando ali residia, e sua filha Gioconda encontrou 2 filhotes de passarinhos que haviam caído do ninho materno, num abacateiro, na ladeira da Rua Icatú, em Botafogo.

Amor materno

Ia eu subindo a ladeira de Icatu, distraída e contente por mais uma aula terminada no curso primário do Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em Botafogo.
O sol descendo atrás da montanha do Corcovado deixava a ladeira em sombra que se alongava cada vez mais, até mergulhar na baia de Botafogo. A ladeira de Icatu tinha forma de espiral e minha casa ficava no alto, podendo dela avistar toda essa espiral da subida.
No jardim da minha casa, meu pai havia plantado um caroço de abacate que em poucos anos tornou-se uma frondosa árvore, na qual os pássaros faziam seus ninhos.
Naquela tarde, certamente um dos ninhos de “rolinhas” existentes no abacateiro tinha caído, e dois filhotes ainda sem penas estavam se arrastando pela calçada em frente à minha casa. Peguei-os e mostrei aos meus pais. Meu pai, embora não censurando meu ato, advertiu-me que os filhotes não poderiam se criar por falta dos cuidados da mãe. Todavia o conselho dele fez o que nós humanos poderíamos ter feito – tentar salvar a vida dos “bebezinhos”. Improvisamos um ninho de algodão, pusemos um pires com água e algumas ervas ao alcance dos bicos dos filhotes. Apesar de todos estes cuidados, no dia seguinte um deles havia morrido e eu choramingava pela vida do segundo. Dobrei meus cuidados procurando por água no seu biquinho com conta gotas. Mas qual não foi a minha satisfação quando meu pai notou que havia uma rolinha dando voltas ao redor da nossa casa piando continuadamente.
Concluímos que deveria ser a mãe dos filhotinhos. Imediatamente colocamos o ninho improvisado na varanda da casa e fechamos a porta de vidro que dava para uma área. Então pudemos constatar a força do amor materno mesmo entre pássaros: a alegria da mãe quando encontrou o filho, os saltos de alegria em volta dele, as carícias e os beijos que se davam!
Feitas as manifestações de grande contentamento a “rolinha mãe” voou para fora para voltar pouco depois, trazendo no bico alimento para seu filho. Por cinco ou seis dias presenciamos contínuos cuidados da “rolinha mãe”, que do clarear do dia ao anoitecer voltava cada hora com alimento para o filho.
Ninguém entrava na área e tudo observávamos através da vidraça da porta fechada.
Mas aconteceu o que prevíamos. O filhote criou forças e penas nesses cinco dias e fazia seus saltos cada vez maiores na área da varanda. Num deles, alcançou o parapeito, que na parte dos fundos era mais alto! Não tive dúvidas, e preocupada que ele caísse e se espatifasse lá embaixo, abri a porta de mansinho e tentei pegá-lo. Ele, porém, sentindo a minha presença deu um salto e foi se apoiar no telhado da casa de baixo.
No outro lado da rua havia uma grande árvore mais baixa que a casa, pois como disse a ladeira de Icatu tem forma espiral em ascendência. E na árvore se encontrava a mãe piando, certamente preocupada com a imprudência do filho. Piando, chorando ou chamando, não sei, mas o fato é que continuava olhando para o filho. Este piando também esboçava um voo de grande audácia! Observávamos tudo do alto da nossa varanda sem nada poder fazer pelas muitas tentativas prolongadas do filhote. Passaram-se minutos, que para mim representaram horas, até que enfim, ele, reunindo todas as suas forças e sua coragem, arrancou voo para chegar junto da mãe que continuava chamando-o e pedindo prudência. O filhote foi perdendo altura, mas avançando sempre, até alcançar a árvore num ramo bem mais baixo daquele em que estava pousada sua mãe.
Havia conquistado a vitória da partida para a sua vida!
De um salto a mãe alcançou o filho e os dois desapareceram entre as folhagens da floresta.




Além de artigos para jornais e revistas escreveu Curitiba - Pequena Montparnasse, livro publicado em 1982, excelente obra onde relata fatos inéditos e curiosos que marcaram sua vida. Pleno de qualidades éticas como homem/pintor seus depoimentos mostram a responsabilidade dele para com a sociedade. Participou do grupo que plantou as bases do movimento artístico pictórico no Paraná e sempre procurou resgatar a memória daqueles que lutaram por um ideal artístico.

De Bona em seu ateliê

De Bona em Morretes

Theodoro De Bona, por Iracema De Bona Foltran

Auto retrato - 1945

No dia 11 de junho deste ano, o nosso inesquecível Theodoro De Bona completaria 106 anos. Foram 80 anos bem vividos, dedicados à arte, ao trabalho, à família, mas infelizmente numa triste tarde de primavera, no dia 20 de setembro de 1990, ele partiu, depois de 6 anos de uma fase difícil afastado da pintura que ele tanto amava, acometido por uma enfermidade; deixando assim uma grande lacuna em nossas vidas. Não temos palavras para expressar a falta que ele nos fez, o que nos conforta são as boas lembranças, seu carinho, sua bondade, sua arte, seu amor como pai e esposo, seu grande exemplo de vida, que ficarão gravados eternamente em nossos corações.
Ele foi o alicerce, juntamente com D. Argentina na construção de uma família sólida e estruturada (filhas, genros, netos). Agradecemos a Deus pelos anos felizes que desfrutamos de sua companhia. Ah! Quantas saudades... quem dera pudéssemos parar no tempo... Quanta alegria em ver os netos encaminhados e a bisneta maravilhosa Maria Antônia (filha de Fernando e Cassiara)!!! Mas, acreditamos, que no plano espiritual ele e D. Argentina estão felizes admirando os frutos crescidos germinados da boa semente que plantaram.





Achamos interessante, registrar aqui, algumas passagens de sua vida.


Em 1934, a rainha da Itália, desejando enriquecer a Imortal Galeria da Victoria, instituiu um concurso tendo como assunto um episódio da 1ª Grande Guerra. 2.480 concorreram, foram classificados para a prova final apenas 48 trabalhos. Entre eles o de Theodoro De Bona, que recebeu um prêmio de 2.000 liras e todas as despesas pagas para viagem e a reprodução do trabalho que permanece entre as obras da Galeria do Risorgimento: o quadro foi adquirido pelo município de Longarone, pois reproduziu a resistência da ponte de Vidor, em novembro de 1917.
Vários outros quadros figuram em museus italianos, entre eles, este “Paese sotto La neve”, adquirido pelo rei da Itália.

Óleo sobre tela : Paese sotto La neve









quarta-feira, 2 de junho de 2010

Corpus Christi em Morretes


Procissão de Corpus Christi



Corpus Christi é uma festividade especial dedicada a Eucaristia, que teve início na cidade de Liége, na Bélgica, em 1239, com data fixada para a quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade pelo Papa Urbano IV. Como em todos os lugares do mundo católico, Morretes realizou esta celebração a partir de 1967, com a chegada do Padre Valter Zimorvinski. Este evento criou um novo panorama, pois querendo demonstrar o seu grande amor por Cristo na Eucaristia, espalhou flores por uma das ruas onde passaria a procissão.
A partir daí todos os anos a cidade prepara desenhos a serem pintados e enfeitados, mantendo assim esta tradição até os dias atuais.


Preparando a decoração da rua


A procissão de Corpus Christi dia 3 de junho de 2010, terá início após Missa Solene às 10:00hs. na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto.

Visualize abaixo o convite para a festa de Corpus Christi expedido pela prefeitura:



quarta-feira, 5 de maio de 2010

DIA DA VITÓRIA, por MLB





Discurso pronunciado em comemoração ao
final da Segunda Guerra Mundial,
em 8 de maio de 1945.

Morretenses!
O Dia da Vitória chegou! A emoção é grande! O contentamento indescritível! Traduzir em palavras o que sentimos é impossível. Tentaremos, pois, apenas nos aproximar do grau de sentimento de cada brasileiro, de cada cidadão das Nações Unidas no dia de hoje.
O dia 8 de maio ficará na História como o Grande Dia. Ele encerrou um período negro da humanidade, período de quase seis anos, longos e terríveis! (...)
Morretes não quis e não poderia mesmo fugir ao imperativo de sua força cívica e patriótica. (...) Reúne-se, sim, para se abraçar com os salvadores da humanidade, para esquecer as loucuras e as ambições que levaram o mundo a esta guerra. Reúne-se, enfim, para desejar a Paz feliz e longa, a Paz construtiva, a Paz que acenda uma nova aurora para a humanidade. (...)
Morretes também atendeu prontamente ao chamado da Pátria. Filhos da nossa querida terra (...)

Pedro Trevisan Jr.


Afonso Bridarolli, Avelino Cordeiro, Batista Vieira, Benigno Pinto Filho, Braz Ribeiro, Casemiro Inácio Mazur, Douglas Negrão, Edgar Pereira, Ernesto de Oliveira (Catarina), Eurides da Cruz, Francisco Ribeiro, Humberto Brites, Hurbano Ribeiro Filho, Jofre Moris da Costa, Laudemiro Ribeiro, Laudinor Bornancim, Laudinor Gonçalves, Olavo Francisco Rebello, Pedro Costa, Pedro Scucato, Pedro Trevisan, Santino Martins, Teodoro Romão de Paula, Tomaz Nunes e Turíbio Assunção são os Morretenses integrantes da Força Expedicionária Brasileira que, com a graça de Deus, breve receberemos em nosso torrão, e a eles saberemos tributar as homenagens cujos direitos com suor e sangue conquistaram.
Mães Morretenses! Fazemos uma pálida idéia do vosso júbilo, da emoção que vos vai n´alma, das lágrimas que brotaram em vossos olhos, ao recebimento das primeiras notícias da cessação da luta. Como que as vemos em orações, rogando à Virgem pela volta dos seus entes queridos, quando ainda era incerto seu regresso. (...)
Portanto, não olvideis a emoção que agita o mundo, porque é o início de uma nova era, a era da liberdade e da justiça. Pela grande alegria que nos empolga, pela grandeza do Brasil, pela felicidade dos seus filhos.
VIVA O BRASIL!

Pedro Scucato

terça-feira, 27 de abril de 2010

Aniversário natalício de Marcos De Bona

Olguinha e Marquinhos comemorando o 68ºaniversário dele.

Hoje dia 29 de abril meu pai completaria 96 anos!
Em julho de 1934 ele escreveu uma carta ao tio Theodoro, que estava na Itália, onde contou muita coisa sobre a família, a cidade e até sobre o país, e no final acrescentou: não falarei da minha pessoa porque continuo no mesmo jeitinho. Sem um grande ideal a vencer a minha vida resume-se nisto - ser feliz. Consegui-lo-ei? Tenho muita esperança. Com a disposição para o trabalho e saúde, como até agora graças a Deus tenho tido, com certeza alcançarei o almejado. Na vida é assim ou a gente se sacrifica por um grande final, para a fortuna, para a glória, ou vive-se no anonimato, esquecido de todos, num mundo bem pequeno, só de si. De toda forma pode-se ser feliz. Eu tenho sido assim – trabalho, divirto-me, procuro ser correto e, sem ambição do dinheiro faço a economia que posso, sem prejuízo da minha comodidade e decência. Esta é a minha diretriz.


Esta diretriz traçada aos 20 anos de idade ele seguiu pela vida afora. Como todos que passam por este mundo teve desgostos, dores e decepções, mas soube enfrentá-los e sempre era visto alegre, sorridente, caridoso, amoroso com todos que o cercavam.


Ao completar 68 anos já estava doente, dias depois foi hospitalizado e faleceu em 16 de junho de 1982. Ficou na memória de todos a sua inesquecível figura que tanto bem semeou à sua passagem.



terça-feira, 20 de abril de 2010

O Pico do Marumbi









*O MARUMBI

O Pico do Marumbi, que pertence ao municípo de Morretes, foi conquistado no dia 21 de agosto de 1879. Como o perfil do conjunto montanhoso é mais imponente visto do Porto de Cima – Morretes, foi de lá que partiram os conquistadores Joaquim Olympio de Miranda (líder), Bento Manoel de Leão, Antonio Silva e Antonio Messias. Esta caravana foi seguida de muitas outras no início do século XX, destacando-se aquela de 1901 da qual participou a primeira mulher a escalar o Marumbi, a senhorita Hercília Pinheiro Lima, de Antonina. Também foi notável a expedição de 1902, organizada por José Nogueira, da qual participaram Olympio Trombini, Bernardo Bittencourt e outros cidadãos morretenses.

A primeira missa
Em 15 de julho de 1934 o farmacêutico Roberto França (líder), Alfredo Malucelli, Alfredo Petersen, Nemésio Pereira, Eugênio Dal’ Stella, Juca França e outros organizaram uma escalada, com o fim de encimar uma cruz de ferro na montanha, e lá ser rezada a primeira missa. Isso foi realmente levado a efeito, pois seguia com a caravana o padre José Paladenzi.

O pintor e o poeta
O Marumbi tem sido cantado em prosa e verso e servido de motivo pitórico para os artistas do pincel. Theodoro De Bona tanto o admirava que chegava a acordar os irmãos para ver o sol chegar devagarinho, bater nos picos mais altos e descer inundando-o de luz. A diversidade de tons o fascinava. Pintou a montanha em 1921, aos 17 anos, e teve-a como inspiração pela vida afora.
Essa montanha foi para mim uma espécie de Montanha de Sainte Victoire foi para Cézanne.
O famoso pintor e cientista Frederico Lange de Morretes, de tão apaixonado pela beleza do Marumbi, manifestou em vida o desejo de ser sepultado no cemitério de Morretes, em posição vertical e fronteira com a montanha

O poeta Arlindo de Castro, já falecido, é autor destes vibrantes versos:

O Marumbi, senhores, é um altar!
Dir-se-ia, até, entre um milhão de flores,
Deus, aí, toda noite, vem rezar,
tendo, por castiçal, o firmamento;
e, por velas, o brilho das estrelas;
por orquestra, o vento
e a voz misteriosa da floresta!

*Artigo escrito por MLB, publicado na Gazeta do Povo, por ocasião do 1º centenário da conquista do Marumbi, em 21 de agosto de 1979.

domingo, 4 de abril de 2010

O/O Morretes, por Éric Joubert Hunziker


NMB - NAVIOS MERCANTES BRASILEIROS
- O/O MORRETES – PPKW –
Ore oil – MORRETES

D a t a s
Batimento de Quilha: 13 de abril de 1977
Lançamento: 28 de outubro de 1977
Incorporação: 5 de novembro de 1979

C a r a c t e r í s t i c a s
Nome : MORRETES
Prefixo: PPKW
IMO nr: 7505281
Estaleiro construtor: Verolme - Estaleiros Reunidos do Brasil S.A., Angra dos Reis, RJ, casco nr. B49.
Dimensões: 276,59 m de comprimento total; 265,01 m de comprimento entre perpendiculares; 43,54 m de boca; 16,12 m de calado; 24,01 m de pontal.
Deslocamento: aproximadamente 159.591 tons.
Porte Bruto: 133.752 tons.
Navio Leve: 25.839 tons.
Toneladas Brutas/Liquidas: 78.453 tons/40.907 tons.
Equipamentos para manuseio de carga: Paus de carga - 2 x 5 tons.
Tanques de Carga/Porões: 5 porões/tanques centrais + 15 tanques laterais - 164.975 m3 ou 1.037.658 barris.
Tomadas para carga: 4 x 16´.
Bombas de carga: 4 x 2.500 m3 per hpur max 12 Kgs pressure.
Motor Principal: 1 motor Sulzer de 10 cilindros tipo 10RND90 de 29.000 bhp de potência x 122 rpm.
Motores Auxiliares: 3 motores Villares B&W tipo 8S28-LH de 1.920 bhp cada x 720 rpm.
Raio de Ação: 22.000 milhas náuticas.
Velocidade: 16 nós.

H i s t ó r i c o
- O ore oil MORRETES foi à segunda unidade de uma série de seis encomendados pelo armador Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobrás/Frota Nacional de Petroleiros - Fronape em contrato assinado em 24 de fevereiro de 1975, para serem utilizados em rotas de longo curso, transportando minério em sua viagem de ida e petróleo em sua viagem de volta.
Seu nome foi dado em homenagem à cidade de Morretes, Estado do Paraná, sendo batizado pela Sra. Maria Aparecida Carvalho Belloti.

1993
9 de julho - Após sofrer pane nos geradores , encalhou no Canal de Suez, sentido SB próximo ao quilometro 32, quando em viagem de Dekhelia, Chipre, para o Terminal de Rabigh, Arábia Saudita em lastro. Após ser desencalhado e os reparos necessários, continuou a viagem no dia.

1998
- Abril - parte do fundeadouro de Fujairah, Emirados Árabes Unidos com destino ao Terminal Gebig, em Angra dos Reis, RJ chegando em 08 de maio, aonde após descarregar, desatraca e fundeia na região, aonde foi desativado e ficou aguardando seu destino.
- Julho - Em sua última viagem comercial, escala Tubarão no dia 8, procedente do Terminal Gebig, em Angra dos Reis, carregando minério de ferro, suspendendo dia 10, com destino a Al Jubail, Arábia Saudita, aonde chegou dia 8 de agosto, descarregando sua carga, suspendendo dia 12 de agosto, procedendo para o Bahrain, e depois fundeando no ancoradouro de Fujairah, Emirados Árabes Unidos, aguardando destino.
- Novembro - Vendido para demolição para Wirana Marine, de Bahamas por US$ 2,8 milhões, sendo o primeiro da classe 33 a ser vendido. No dia 21, parte de Fujairah com destino a Chittagong, Bangladesh.
- 2 de dezembro - Chegou a Barra de Chittagong, fundeando para aguardar maré favorável para abicagem.
No dia 27, abica, e é entregue para a empresa Ziri Subeder Steel & Re-Rolling Mils, sendo iniciada sua demolição no dia 30.

Esta coluna é dedicada ao primo Aluizio Cherobim que a partir do dia 12 passou a ser morretense de fato, pois de coração já era.

Éric Joubert Hunzicker é pesquisador histórico.
É Membro efetivo da Academia de Letras José de Alencar.