quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Quem lembra desses festejos vai curtir e quem não conheceu poderá comparar os velhos tempos com a nossa atualidade!

FESTA DE FIM DE ANO EM MORRETES
MORRETES – (do correspondente) Várias festividades tradicionais serão levadas a efeito nos próximos dias características dos dias de Natal e Ano Novo.
A noite de Natal não terá aquela movimentação dos outros tempos, em que todo o povo dos sítios vinha para a cidade assistir aos festejos populares (bailes, fandangos, violeiros etc e a Missa do Galo), mas haverá a missa à meia noite na Igreja Matriz da cidade, seguindo-se outras comemorações e no fim do ano os clubes locais abrirão seus salões para os bailes de costume.


                                              Notícia publicada no jornal Estado do Paraná, em dezembro de 1964
                                                                       Recorte de jornal da coleção de MLB, livro V

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Bela reflexão, por Facundo Cabral

Você não está deprimido, não! Você está é distraído …
Distraído em relação à vida que preenche o seu ser,
Distraído em relação à vida que lhe rodeia,
Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caia nessa, como caem tantos, que sofrem por um único ser humano, quando existem cinco bilhões e seiscentos milhões no mundo.

Além do mais, não é assim tão ruim viver só. Você tem total liberdade de decidir, a cada momento, o que deseja fazer, e graças à solidão você tem tempo de conhecer-se melhor o que é fundamental para viver.

Não faça como tantos, que se sentem velhos porque têm setenta anos, e esquecem que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos

Você não está deprimido: está distraido! Você lamenta suas perdas… Perdas?! Tudo lhe foi dado! Você não fêz nem um só cabelo da sua cabeça, portanto nunca foi dono de coisa alguma.
Além disso, a vida não lhe tira coisas: apenas lhe alivia e liberta de muitas coisas, para que você possa voar mais alto, para que alcance a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola: o que você chama de problemas são apenas lições.

Você não perdeu coisa alguma: o ente querido que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueça que o melhor dele, o amor, continua vivo no seu coração.
O amor tem mais valor que tudo! Minha mãe, em sua sabedoria simples, dizia, “A pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas em excesso, e nos deforma, tornando-nos desconfiados.

Faça tudo com amor e será feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente fadado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. Não faça coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. Então terá a plenitude, onde tudo é possível sem esforço, porque entrará em ação a força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus lhe deu a responsabilidade por um ser humano: você! Dê felicidade e liberdade para si mesmo. Só então conseguirá compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.

Lembre-se: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Então reconcilie-se consigo mesmo, coloque-se na frente do espelho e lembre-se que esta pessoa que você está vendo é uma obra de Deus, e decida neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição valiosa.

Aliás, a felicidade não é um direito, mas sim um dever; porque se você não for feliz, você sozinho irá contaminar o ar com a sua amargura carrancuda, afetando a vida de todas as pessoas, por onde você passar.
Um único homem que não tinha talento nem valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, Don Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se você está com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, coloca em liberdade o seu corpo, que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)... Se você ganha, será mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não, você não está deprimido, você está é desocupado.
Ajude a criança que precisa da sua mão, ajude os mais velhos… assim os jovens lhe ajudarão quando chegar a sua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é também gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão depois de nós.

Dê sem medida, e receberá sem medida.
Ame até tornar-se um ser amado; mais ainda, converta-se no próprio Amor.
E não se deixe enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é majoritário, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz muito mais barulho que um gesto de carinho, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carinhos que alimentam vidas.

Viver vale a pena, não é mesmo? Sabe, se Deus tivesse uma geladeira, teria você numa foto grudada na porta. Se ele tivesse uma carteira, sua foto estaria nela. Ele lhe envia flores a cada primavera. Ele lhe envia um nascer do sol a cada manhã. Cada vez que você quer falar, Ele escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, mas escolheu o seu coração!

Deus não lhe prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva… porém Ele prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas, e luz para o caminho.


“Quando a vida lhe trouxer mil razões para chorar, encha o peito de ar e repita em voz alta as suas mil e uma razões para sorrir.”
Facundo Cabral

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Festa do Chopp Sábado em Morretes!!!

Em tempo da Oktoberfest passo a vocês uma recordação da festa ocorrida em Morretes em 1966  - a festa do chopp, que surgiu na Alemanha, hoje famosa no mundo inteiro.




Morretes assistirá pela primeira vez na sua história social, uma festa do chopp. Isto acontecerá no próximo dia 29 quando no Clube 7 de Setembro  será levada a efeito uma estrondosa festa.
Enorme quantidade de canecas já foi vendida esperando-se um resultado financeiro apreciável para reverter em favor de reformas na sede social. A atual diretoria está com meritórios propósitos quais sejam os de ampliar o salão de baile, reformar o bar e instalações sanitárias, isso ao que diz respeito ao progresso material.
Quanto ao social também quer movimentar o clube de modo a fazer voltar a frequentar seus bailes e outras reuniões toda a sociedade morretense fazendo reviver os dias faustosos do passado da nossa tradicional agremiação.
A nova Diretoria recentemente eleita e empossada é a seguinte:
Presidente – Alaor Silvério, Vice – Mário Lorusso, Secretários – Eric Hunzicker e Alfredo Gnatta, Tesoureiros – Orlando Conforto e Augusto Araújo, Oradores – Drs.Luis Dilson de Souza Pinto e Sidney Antunes de Oliveira,
Bibliotecário – Dr. João Batista de Freitas,
Diretor Social – Foed Smaka,
Diretor da sede – Tufy Chimure.
Conselho deliberativo – Antônio R. Filho, Lauro Consentino, Arquino Bornancim, Haroldo F. de Souza, Hostílio de Freitas, Gilberto L. Ferreira e Odival Miranda Pinto.
Tomada de contas – João Pinto Veloso, Dagoberto Ribeiro, e Dr. Gaelser Pereira Gomes.
Conselho Fiscal – Hamilton Ferreira, Guy Royer, Dr. Genor Silva, Luiz Carlos Hunzicker, Guilherme Silvério Filho, e Altair Bornancim.

Procurador – Arthur Hunzicker


                                                      Notícia publicada em jornal da capital, no dia 20 de novembro                                                         de 1966, integra a coleção de recortes de MLB.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LIBRANDO O ACENDEDOR DE LAMPEÕES!!!

É difícil pensarmos em Morretes no fim do século XIX, com lampiões iluminando as ruas, acesos pelo caboclo Librando. Leiam o texto e imaginem a cena. 

Librando, um caboclo guapo e forte, alegre e boêmio, era o acendedor dos lampeões das ruas de Morretes, já pelos anos de 1895 e 1896. Dizia-se, que antes dessa missão, fora Librando caixeiro do armazem do seu Caetano Babão, cuja especialidade era a venda de lampeões, castiçais, mangas de vidro, pavios e querosene; e mais, bacias-banheiro, urinóis, secção de quinquilharias, etc. Também lá se vendiam remédios a jalapa (...) E, se procuravam urinóis, seu Caetano respondia que tinha de todos os tamanhos, mas que era preciso trazer as medidas... Espírito e graciosidade de antanho.
Librando era também cantador e tocador de viola. Nascera lá na encosta do poético Anhaia, no sítio do Sarapiá, caminho de Barreiros, antigo porto marítimo com armazem de aduana e fiscalização.
Morava do outro lado do "Nhundiaquara gentil"... o rio-amor do glorificado poeta Juca Moraes, quando nem se pensava em ponte de ligação.
A tardinha, com bom ou mau tempo, velejava Librando, ao "xoa" do rêmo na sua canôa de  "guadiruvú", cigarrinho de palha à boca, rumo às cotidianas obrigações cantando:

Nhundiaquara, rio corrente
que desliza para o mar;
na canôa nem se sente
Vista do Rio Nhundiaquara
o barulho do mar...

Quando ao outro lado passar,
- rio querido, rio amor;
ouças meu rêmo cantar
- rema, rema remador.

P'ra Morretes dar confôrto,
Quando acende o lampeões;
à Nossa Senhora do Porto
Librando faz-lhe oração...

Ninguém sabe acreditamos sejam dêle ou de alguém, essas rimas cablocas. Seja como for, simples embora, revelam inspiração.
Librando foi feliz. Vivia cantando. Se teve dores, sabia disfarçá-las. Boêmio, dava-se com todos. Gostava de "matar o bicho" num traguinho no armazem do Maneco Maria (...)
Finalizado o seu mister, que às vêzes amanhecia, ia tomar café e fazer compras para as venerandas morretenses: Nhá Euristela e Nhá Isabel Massaneiro, para a casa do "seu" João Negrão e para o sr. Camargo, chefe da agência telegráfica, que então era a Central do Paraná (...) 

*Artigo do sr. Octávio Secundino, publicado no jornal
O Estado do Paraná, em 23 de dezembro de 1955.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Erupção vulcânica em Morretes?!

Complexo do Marumbi

  No dia 21 de agosto de 1879, bem antes da inauguração da ferrovia Paranaguá Curitiba, o Pico do Marumbi com 1547 metros, foi escalado pela primeira vez por Joaquim Olympio de Miranda, Bento Manoel de Leão, Antônio Silva e Antônio Messias.
Em maio de 1902 um grupo de amigos partiu de Morretes com o propósito de escalar a montanha, o que foi realizado com sucesso e para comprovarem o feito os intrépidos marumbinistas resolveram atear fogo na mata. O fogaréu foi visto pelos moradores de Paranaguá, Antonina e Morretes levando pânico às populações, pois pensavam tratar-se de um vulcão em erupção!
Esta façanha foi contada pelo Sr. Olympio Trombini, que participou da expedição, e transmitida pelo neto o Sr. Italo Trombini, ao reporter e pesquisador Henrique Schmidlin, o "Vitamina" em 1979, ano do centenário da primeira escalada. O reporter teve ensejo de apreciar uma fotografia da ocasião, na qual estão impressos os seguintes dizeres: Foi esta expedição que em maio de 1902 deitou fogo à macega, na serra do Marumbi, o que ocasionou o povo a supor um vulcão, e em Paranaguá entoar TE DEUM por esse motivo.
O chefe da equipe foi obrigado a publicar no jornal A REPÚBLICA uma nota de esclarecimento e assumido a responsabilidade do “causo”.

Em pé, da esquerda para a direita: Emílio Grotti, Alexandre José Soares Taveira, Bernardo D'Oliveira Bittencourt, Olympio Trombini, João Gobbo (timoneiro), Ewaldo Frederico Pettersen, Emílio Dalla Stela.
Sentados: Antônio Orreda, Vicente Luiz de Oliveira, Manoel Antônio dos Santos, Doro Cauduro.
Deitado : José Nogueira (chefe).
Estes os expedicionários da ascensão no ano de 1902, pela face norte.
* Publicado no jornal O Estado do Paraná, em 19 de agosto de 1979

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Olimpíadas de "inverno" no Brasil... será?

Em tempo de Olimpíada acho que VALE A PENA VER DE NOVO um vídeo publicado em março de 2014, no canal do youtube Ôta Fumiga, de propriedade de Marcos De Bona. Intitulado Jogos de inverno no Brasil - é uma sátira bem humorada da prática de esportes no Brasil.


video

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pai herói, de José Maria Garmatter

Pai herói,  belíssima poesia do José Maria. 
Minha homenagem ao primo falecido no último dia 4.

Papai, quando eu crescer quero ser grande!
Um rei, um artista ou um herói!
Filho, aqui já não mais existem nem reis, nem heróis.
Você tem que ser artista.
Use a arte da dignidade, que há muito foi esquecida;
Da lealdade, que não mais se ouve dizer;
Da honestidade, que, acho eu, já morreu;
Do patriotismo, que com este tempo adoeceu;
Da verdade, que foi torcida e aleijada;
Do trabalho, que se transformou em agiotagem;
Da liderança, que foi sufocada;
Da justiça, que nome certo já não tem;
Do amor, que a massificação esmagou;
Da cultura, que nem vocabulário mais tem;
Da oração, que se apagou;
Da esperança e da fé, que desacreditadas foram!
Filho, o que lhe disse muito me doí.
Mas só sendo assim artista,

Você será herói!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Adalberto "Nho Beco" Villa Nova. Um religioso dedicado!!!

ADALBERTO VILLA NOVA

Vêem-se também nos grandes centros, mas é mais comum encontrarem-se nas cidades do interior, pessoas que, não tendo ordens sacras, se dedicam ao cuidado das coisas santas, dirigindo Irmandades, presidindo Congregações, ajudando na Santa Missa.
Essas pessoas, geralmente de idade avançada, já no gozo da aposentadoria da atividade a que se dedicaram, na vida, são possuídas de sentimento cristão em elevado grau, piedosas, serviçais, humanitárias.
Elogiar a conduta de homens e mulheres de coração assim tão bem formado torna-se desnecessário, pois a estima geral de que gozam, no seio da comunidade em que vivem, o respeito, a consideração, já são retribuição suficiente a quanto vem praticando de bem para a alma de seus semelhantes.
Adalberto Villa Nova, cujo infausto passamento ocorreu há pouco, em Morretes, não se inclui entre aquelas pessoas por nós ditas idosas e aposentadas, embora já nos últimos anos estivesse ele nessas condições. Dizemos não se inclui, porque mesmo quando moço e tinha a seu cargo a sua indústria, já exercia as mais diversas atividades, na Paróquia de Nossa Senhora do Porto, herdando de seu pai, o honrado Morretense, Júlio Villa Nova, os acrisolados dotes de coração, a devoção de Nossa Senhora e a dedicação às coisas da Santa Madre Igreja, que tornaram essa família reconhecida como das maiores cooperadoras da religião católica em nossa terra.
Há muitos anos exercia o cargo de Provedor da Irmandade da Matriz de Morretes, onde a sua dedicação sem par o colocava sempre na liderança dos movimentos que visavam o progresso espiritual da nossa gente e das homenagens à excelsa padroeira da nossa cidade.
Modesto de recursos financeiros era, porém, rico de fé, tantas vezes demonstrada neste mundo, onde a dor pela perda do único filho foi contida pelo poder de resignação à vontade de Deus, só possível aos que crêem e não desesperam ante os misteriosos desígnios divinos.
Festa do Divino Espírito Santo
Por isso, Adalberto Villa Nova, que na intimidade da família e da Irmandade chamávamos Nho Beco, deixa um nome saudoso aos seus concidadãos e familiares pela sua bondade inexcedível, pela conduta ilibada e amor ao próximo. E, ainda, um nome consagrado no seio da Igreja Católica pelos serviços prestados, merecendo de Sua Excelência Reverendíssima, o Arcebispo Metropolitano, especial referências na missa vespertina daquele tristonho sábado do mês de agosto, assim como os agradecimentos de Dom Bernardo, Bispo de Paranaguá, quando da sua primeira visita oficial a Morretes no dia 28 do mês transato.
Deixou Adalberto Villa Nova à sua esposa, companheira incansável de jornada pelo bem e pela igreja, essa satisfação que, em meio a dor de perdê-lo, ganha, para consolo da alma, como um bálsamo depositado sobre seu coração ferido.
A Paróquia de Morretes, entristecida, queda pesarosa ante o desaparecimento do prestimoso irmão, com orações fervorosas para que sua alma descanse em paz no seio do Senhor.
Publicado no Jornal “O Dia” por M. L.  De Bona

Curitiba, setembro de 1963.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Canção do expedicionário

  
A Canção do Expedicionário escrita em 1944 pelo poeta Guilherme de Almeida, musicada por Spartaco Rossi é uma belíssima homenagem aos pracinhas brasileiros que lutaram na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. 
É considerada o verdadeiro Hino da Força Expedicionária Brasileira e com emoção vemos em cada verso o retrato das nossas belezas naturais, nossa cultura e nossa pátria.


Você sabe de onde eu venho ?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Praça do Expedicionário - Rio de Janeiro
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal. 

Por mais terras que eu percorra...
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.

Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,
Brasileiros pisam em solo europeu
Em primeiro plano o 1º ten. R-2 Thomaz W. Iwersen
Braços mornos de Moema
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim.
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!

Por mais terras que eu percorra...

Você sabe de onde eu venho ?
E de uma Pátria que eu tenho
No bôjo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreno,
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacaranda,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.

Por mais terras que eu percorra...

Venho do além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde o nosso amor nasceu;
Museu e Praça do Expedicionário - Curitiba - PR
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,    
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,
Fazendo o sinal da Cruz !

Por mais terras que eu percorra...



quarta-feira, 11 de maio de 2016

Dia da vitória

Discurso pronunciado em comemoração ao
final da Segunda Guerra Mundial,
em 8 de maio de 1945

Morretenses!
O Dia da Vitória chegou! A emoção é grande! O contentamento indescritível! Traduzir em palavras o que sentimos é impossível. Tentaremos, pois, apenas nos aproximar do grau de sentimento de cada brasileiro, de cada cidadão das Nações Unidas no dia de hoje.
O dia 8 de maio ficará na História como o Grande Dia. Ele encerrou um período negro da humanidade, período de quase seis anos, longos e terríveis! Será uma data jubilosa pela integral Vitória da causa da liberdade e da justiça. Será uma data da saudade, pela memória daqueles que tombaram no cumprimento do dever.
Morretes não quis e não poderia mesmo fugir ao imperativo de sua força cívica e patriótica. Por isso não se reúne o nosso povo para odiar. Não se reúne para desejar mal àqueles que o praticaram. Reúne-se, sim, para se abraçar com os salvadores da humanidade, para esquecer as loucuras e as ambições que levaram o mundo a esta guerra. Reúne-se, enfim, para desejar a Paz feliz e longa, a Paz construtiva, a Paz que acenda uma nova aurora para a humanidade.
Morretes já se manifestou, em agosto de 1942, realizando o enterro simbólico dos ditadores nazi-facistas, em desagravo das ofensas recebidas com o afundamento dos nossos navios que viajavam pacificamente em águas nacionais. Naquele dia explodiu em nosso povo o incontido sentimento de revolta pelas duzentas e oitenta inocentes vítimas do torpedeamento do Baependi. Pelos cento e quarenta e três náufragos do Anibal Benévolo. Pelos cento e trinta brasileiros, entre tripulantes, mulheres e crianças, que morreram no traiçoeiro golpe lançado contra o barco Araraquara.
Naquele dia, sim, desejamos a guerra, desejamos enfrentar todos os horrores dessa coisa terrível que é destruir e matar, que é sacrificar milhões de criaturas, que é sangue, suor, pranto, miséria, sofrimentos infinitos, angústias intraduzíveis.
E o nosso governo soube interpretar o sentimento e os desejos do povo. Enviando para a Itália a heróica Força Expedicionária Brasileira, preservou a honra nacional, colocando o Brasil em lugar de destaque entre as Nações Unidas, portanto, elevando o nosso prestígio no mundo civilizado e assegurando-nos uma atuação importante na Conferência da Paz.
Morretes também atendeu prontamente ao chamado da Pátria. Filhos da nossa querida terra também foram de arma em punho, em defesa da grande causa enfrentar os rigores da luta e do clima na Península Itálica. Esses heróis que em breve regressarão aos seus lares, merecem imensa gratidão e são dignos de figurar entre os que contribuíram de forma decisiva para a Vitória que hoje comemoramos.
Afonso Bridarolli, Avelino Cordeiro, Batista Vieira, Benigno Pinto Filho, Braz Ribeiro, Casemiro Inácio Mazur, Douglas Negrão, Edgar Pereira, Ernesto de Oliveira (Catarina), Eurides da Cruz, Francisco Ribeiro, Humberto Brites, Hurbano Ribeiro Filho, Jofre Moris da Costa, Laudemiro Ribeiro, Laudinor Bornancim, Laudinor Gonçalves, Olavo Francisco Rebello, Pedro Costa, Pedro Scucato, Pedro Trevisan, Santino Martins, Teodoro Romão de Paula, Tomaz Nunes e Turíbio Assunção são os Morretenses integrantes da Força Expedicionária Brasileira que, com a graça de Deus, breve receberemos em nosso torrão, e a eles saberemos tributar as homenagens cujos direitos com suor e sangue conquistaram.
Mães Morretenses! Fazemos uma pálida idéia do vosso júbilo, da emoção que vos vai à alma, das lágrimas que brotaram em vossos olhos, ao recebimento das primeiras notícias da cessação da luta. Como que as vemos em orações, rogando à Virgem pela volta dos seus entes queridos, quando ainda era incerto seu regresso. Como que as vemos hoje, ainda orando, em orações fervorosas de graças pelo advento da Paz, da concórdia, da solidariedade humana, voltando tudo a possuir a beleza dos dias claros, de trabalho e harmonia, e a das noites calmas sob a constelação do Cruzeiro do Sul.
Brasileiros!
Atentai bem para o momento histórico que vivemos. Atentai bem para a transição que se opera no mundo. Esse momento deverá ficar para sempre gravado em vossa memória. Vossos filhos pedirão detalhes destes instantes, quando a história tiver desvendado todos os mistérios, antecedentes, causas, homens, e coisas desta Segunda Grande Guerra Mundial e a primeira em que o Brasil participa ativamente no continente europeu, enviando forças regulares. Portanto, não olvideis a emoção que agita o mundo, porque é o início de uma nova era, a era da liberdade e da justiça. Pela grande alegria que nos empolga, pela grandeza do Brasil, pela felicidade dos seus filhos.,

VIVA O BRASIL!

Pedroca Scucatto

Pedro Trevisan

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Carta para Theodoro II

continua...mais alguns trechos da carta de                                            Marcos para Theodoro

Morretes, 28 de julho de 1934.

Theodoro De Bona
Caro Theodoro.

Lemos com atenção as tuas considerações sobre a tua estada na Itália. De fato você tem sido um sacrificado pela tua arte, um verdadeiro apóstolo. Os sucessos de hoje são uma justa recompensa do teu esforço. Quando eu conto aqui para alguém que me interpela a teu respeito, que você nunca teve uma namorada, que viveu sempre afastado dos prazeres mundanos, que engarrafou cachaça em Curitiba para sustentar tua arte é que a tua figura torna-se mais digna de admiração. É interessante que neste meio pequeno que é Morretes há pessoas que têm a Europa como uma terra muito distante, lendária, e não raro fazem perguntas engraçadas como: você conhece esse teu irmão? ...Ele, quando vier aqui para o Brasil, não vem morar aqui em Morretes, não é?  E é assim.
Outros mais letrados, que têm o mundo nas mãos pelo rádio e telégrafo, já falam da tua estada aí como coisa natural. O fato é que todos desejam te rever, principalmente a velha Maria Buzzata que sempre recorda a tua alegria no casamento da Thereza com o falecido Antoninho. Diz que você tem uma voz como poucos.
(...)
Temos um jornal em Curitiba – O Correio do Paraná – dirigido pelo jornalista sírio Paulo Tacla, que é um monte de injúrias contra o atual regime. Lendo-o, você não voltaria mais ao Brasil. Mas a maior parte é despeito, porque ele ainda não foi convidado para um cargo rendoso. Se o fosse por certo calaria. Mesmo assim sempre diz verdades que calham na imaginação pública. Por exemplo, o subsídio do Presidente da República, que na República Velha era de 20 contos mensais, tendo sido pelo governo provisório reduzido para 10, foi agora na formação da Carta Constitucional aumentado novamente para 20. Esse foi um motivo para uma manchete sensacional do Correio e que teve a aprovação do povo em geral. 
(...)
Temos uma pracinha agora. O interventor Manoel Ribas está no propósito de montar aqui uma grande usina de açúcar, por conta do governo. Se isto acontecer será um grande passo. A nossa fábrica de papel, que há seis meses estava parada, entrou agora em franca atividade, tendo sido adquirida por uma firma do Rio. (...)
Marcos Luiz De Bona

A carta na integra pode ser lida no livro:
Tenho Dito: Morretes e Morretenses nos discursos de MLB

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Carta para Theodoro

Marcos Luiz De Bona
*29/04/1914 + 16/06/1982
No ano de 1927 meu tio Theodoro partiu para a Itália onde continuou seus estudos de pintura. Lá em 1934 participou de um concurso com milhares de candidatos pintores e foi classificado entre os  primeiros quarenta. Ele escreveu para a família dando a notícia do sucesso alcançado e meu pai respondeu com uma bela carta da qual transcrevo aqui alguns trechos, em homenagem ao "Seu De Bona" pelo 102º aniversário de nascimento. 


Morretes, 28 de julho de 1934.
Caro Theodoro. 
Abraços.

Com a satisfação que se pode imaginar de irmãos que recebem a notícia de um grande sucesso de um outro irmão muito distante e querido, acabamos de ler a tua longa carta de 3 do corrente.
*Dizer-te da alegria que nos encheu a alma pela grande vitória que conseguiu será desnecessário, pois você próprio está bem consciente da grandeza desse triunfo. Bravo! Que seja você o representante do Brasil nesse memorável certame de arte e, particularmente, da modesta família De Bona... fabricante da especial caninha... em Morretes... Paraná. Dentre três mil, venceram quarenta, e dentre quarenta, se formos prever pela porcentagem, será mais fácil vencer um. Porém compreendo. Nesses quarenta está o que há de melhor e para vencê-los é preciso A R T E , assim, com letras maiúsculas e espaçosas. Mas com muito trabalho e fé em Deus é possível vencer. Isto não te falta e então...

A boca dos Phrynés abrirão para ti um riso encantador
A glória deslumbrante iluminar-te-á a vida
Como bela alvorada, esplêndida nascida,
A toques  de clarins e rufos de tambores.
(Guerra Junqueira)

... Do Brasil, de sua vida política, econômica e social, pouca coisa te contarei. Tenho curta visão das coisas e não sei dizer se vamos bem ou mal. Pela voz dos outros é que não se pode calcular. Cada qual acha a situação de acordo com a sua própria, ou seja: aqueles que estão sendo beneficiados pelos atos do governo, enaltecem-no; aqueles que se vêm prejudicados, escarnecem dele. Dos jornais nada se deduz. Os do governo andam repletos de elogios. Os da oposição (já há muitos) só encontram motivos para atacar...

...Conforme você verifica pelas revistas que tenho te enviado, foi terminada a Carta da Constituição, tendo sido pela Assembléia Constitucional eleito o Presidente da República para o quatriênio 1934-1938, na pessoa do Sr. Getúlio Vargas. Esta carta custou ao Brasil milhares de contos. Calcule você que 270 Deputados, cada qual vencendo ordenados superiores a três contos mensais, levaram quatro meses para a redigirem. Enfim, melhor do que antigamente está. Pelo menos alguns dos revolucionários lembram dos compromissos assumidos com o povo. Agora, com o ingresso do país no regime da lei, é possível que haja mais ordem.

O que a Revolução fez de bom para o comércio foi a instituição da lei de férias e caixa de aposentadoria para os empregados... 
... A nossa Morretes caminha a passos de tartaruga para o progresso. Agora foi finalizada a estrada para Paranaguá e tem havido bom movimento de caminhões. A banana e a aguardente vão indo assim, assim... Foi reduzido o imposto federal sobre a aguardente, mas veio dar no mesmo por causa do estadual criado recentemente e que é justamente a importância deduzida pelo federal. Assim, ainda se paga 226$000 de selos por uma pipa de cachaça....

... Não te falarei da minha pessoa porque continuo no mesmo jeitinho. Sem um grande ideal a vencer, a minha vida resume-se nisto: ser feliz. Consegui-lo-ei? Tenho muita esperança. Com a disposição para o trabalho e saúde, como até agora graças a Deus tenho tido, com certeza alcançarei o almejado. Na vida é assim: ou a gente sacrifica-se por um grande final, para a fortuna, para a glória, ou vive-se no anonimato, esquecido de todos, num mundo bem pequeno, só de si. De toda forma pode-se ser feliz.

... Por hoje nada mais te conto. Ficam para a próxima correspondência os demais assuntos. Sim, porque há mais a te contar. Resta que não fiques amolado com as minhas cartas muito compridas.
Faz tempo que não escrevemos ao tio José, mas eu vou tratar disso.

Todos te enviam forte abraço, ao qual junto o meu bem apertado.


A carta na íntegra pode ser lida no livro

Tenho dito; Morretes e morretenses nos discursos de MLB, página 189.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Dia Nacional do Livro Infantil



18 de abril foi instituído como o Dia Nacional do Livro Infantil, escolhido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002, em homenagem a Monteiro Lobato um dos principais autores da Literatura infanto-juvenil Brasileira.




Em Morretes, terra de grandes escritores e poetas, já tivemos uma Biblioteca pública municipal hoje desativada e Nosso Cantinho da leitura, biblioteca que funcionava na Galeria de artes Mirtillo Trombini. Há um ano desmontada teve seu acervo alojado na Secretaria de Educação e aguarda espaço próprio e nova organização.




Com 30.000 títulos catalogados e classificados, composto de literatura e jogos infantis, coleção de referência, livros didáticos, romances, revistas, algumas obras raras e até um exemplar do Alcorão em português enviado diretamente do Oriente Médio. Atendia 1.850 leitores devidamente cadastrados, com consulta local e empréstimos para pesquisas escolares municipais, estaduais e universitárias para todas as idades.


Um ano em que nossos leitores perderam uma fonte extraordinária de cultura e lazer!

A seguir algumas frases sobre o livro ...
- É claro que darei computadores aos meus filhos, mas antes terão livros – Bill Gates
- Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem -  Mário Quintana
- Os livros são o tesouro precioso do mundo e a digna herança das gerações e nações – Henry Davis Thoreau
- Os livros são o alimento da juventude – Cícero
- Os livros são as abelhas que levam o pólen de uma inteligência a outra – James Lowel

...e um belo poema de Castro Alves:

Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n’alma
É germe – que faz a palma
É chuva - que faz o mar!


sábado, 13 de fevereiro de 2016

História que se repete a cada ano...MORRETES "Ontem e hoje"

Quando criei o meu blog DEBONATENHODITO em 2010 publiquei esta pequena e simples postagem sobre Morretes, 
cidade abençoada por Deus e bonita por natureza !   

                                     
Nasci e fui criada em Morretes.  Gostava de subir em árvores para apanhar goiaba, carambola, jabuticaba e outras frutas gostosas que tinha no quintal da minha casa. Brinquei com minhas primas, amigas e vizinhas. Enchente?!? para nós crianças era mais uma brincadeira, nunca uma calamidade pública, aliás nem sabíamos o significado desta expressão. Tomei banho no rio Nhundiaquara sem medo de poluição, sem medo de afogamento pois conhecia o local.


Infelizmente não se pode dizer o mesmo nos dias atuais, pois suas águas não são mais tão límpidas e os rios da cidade, só neste verão já vitimaram quatro pessoas! Lamentável que um lugar tão bonito seja palco de tamanha tragédia! Os turistas que visitam Morretes sabem que a cidade é histórica, oferece belos passeios e o delicioso barreado, mas se faz necessário maiores informações sobre a cidade e os locais a serem explorados e maior sinalização dos perigos!

Passados cinco anos pergunto o que mudou e o que é necessário melhorar para ser realmente uma cidade turística que ofereça bons serviços e segurança para os que a visitam.