quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Chácara do Padre Linhares - Parte dois


Teve em Morretes um excelente Colégio, que ministrou instruções a várias gerações e era o entusiasta organizador de animadas, alegres e recordativas festas da Padroeira de Nossa Senhora do Porto, de São Benedito, do Bom Jesus do Cari, das memoráveis festa do Bom Jesus do Cardoso, de São Sebastião do Porto de Cima, de São Pedro do Anhaia e das do Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade, com alegres cortejos, organizados por mocinhas e rapazes, que, com salvas para óbulos percorriam a cidade, de casa em casa, precedidos de banda de música do maestro Manoel Adriano de Freitas, Henrique Dias, João Adolfo, Nôno e outros musicistas de então, e que as donas de casa recebiam a divina visita das Bandeiras, com os “Pombinhos Santos” oferecendo mesadas de doces e n’algumas das quais, a juventude aproveitava  dançando ao som da música, macias valsas ou do “corropio”, polkas, shotis, mazurcas, etc.


Ah! Bom tempo! Tempo que não volta mais... e quanta saudade!...
A “Chácara do Padre Linhares”, que dispunha de todas as comodidades, era um dos pontos preferidos para passeio e distração das visitas e da alta sociedade morretense.
Era um dos mais ricos pomares que se conhecia. Possuía frutas de todas as qualidades, até as mais raras, e seu contorno ajardinado num belo colorido de flores, trescalantes de suaves fragrâncias.
A “Chácara do Padre Linhares” era um solar aristocrático, ostentando os pergaminhos da nobreza, na opulência do seu todo e no conjunto do bosque dos seus arvoredos. A chácara era motivo de orgulho para quem a possuía e motivo de admiração para quantos a visitavam.
Ali desfrutava-se a sedução de amenidade climatológica, o que tudo deu a “Chácara do Padre Linhares” milagre de seus dias áureos marcados por uma grandeza espiritual que o tempo levou... e que representou bem um estilo fidalgo de vida, o sentido de conforto.
Hoje parece-nos a “Chácara do Padre Linhares” essa pátina da tradução de uma terra e de um povo, chora saudosa nas suas ruínas.

Recordando essa régia chácara que fala de um passado da amorosa terra de Silveira Neto, de Juca Moraes,   de Bingue Werneck,   de Ricardo Lemos,   de Juca Gelbeck,   de João Turim,   de Aguilar Moraes,   de Rodrigo de Freitas,   de Langue de Morretes,   de Theodoro De Bona, de Luiz Bastos,   de Chico Negrão,   de Frederico Oliveira,   de Maria Cândido Cordeiro,   de Targina Costa Pinto,   de Urbano Carrão,   de Marcelino Nogueira Junior,   de Odilon Negrão,   de Bento Gonçalves,   de Rômulo Pereira,   de Dona Mimina, Arthur Loiola,   Comendador Dodoca,   Agostinho Leandro,   Juca Pedro,   Joaquim Carmiliano,   Comendador Joaquim Alves,   Joaquim José dos Santos,   João Negrão além de outros muitos morretenses dignos e ilustres, numa homenagem a essa terra cheia de coisas boas da vida e a esse povo que tem coerência que é atributo de sensatos, unidos pelo mesmo perfume de seus lírios ao perfume do trabalho e da amizade, pego de minha desafinada lira para entoar-lhes estes meus versos de saudade: 



Morretes

No teu seio de lírios e fragrância,
Eu sinto uma feliz tranquilidade,
Um prazer agridoce, uma saudade
Dos tempos ideais da minha infância.

Os olhos fecho: como linda estância,
Entre montanhas vejo-te. E quem ha de
Rever-te sem rever a mocidade,
Quando te evoco, em cismas, à distância?

Berço querido do meu velho Pai,
Por ti, de joelhos, este servo cai,
Em prece de suavíssimo conforto.

Que teu povo cortês, em marcha avante,
Do progresso na senda rutilante,
Tenha um guia de amor: Virgem do Porto!



quarta-feira, 26 de julho de 2017

A chácara do Padre Linhares por Octavio Secundino




Morretes, a cidade sossego e amor, de tranquilidade e inspirações, cercadas de imponentes e altivos morros e de valados pitorescos e originais, na formação de uma especial posição geográfica, é historia na vida de nosso Estado, que contempla o passar dos tempos de uma época que já vai longe quando foi empório do comércio do Paraná e teve muitas primazias, alteou ao apogeu dos tempos de outrora, social e na vida do trabalho; dos salões de luminárias e candelabros em vetustos sobrados e amplos solares de janela e portas ogivais, adornadas de redondas cortinas e adamascados reposteiros balançando suas borlas douradas ao perpassar dos rodados vestidos das damas e do agitar das luvas dos cavalheiros de estreitas calças e jaquetão de gola e veludo e seda.
Morretes sonha... Morretes foi majestade!...
Naquela poética terra de Rocha Pombo – maior entre os maiores – naquele sedutor recanto onde desliza o Nhundiaquara beijando as margens o lírio em flor, em cujas águas refletem o anil do céu, terra onde também nasceu meu pai, ninho abençoado que foi “cirandinha da minha infância”, existia, ou talvez ainda exista hoje, quem sabe em ruínas, não a distancia do centro urbano, cheio de atrativo, um encantador sítio, aspecto senhorial, a suave sombra de frondosas arvores frutíferas, uma espaçosa vivenda construída com arte açoriana: A Chácara do Padre Linhares de telhado beirado emoldurado com bom gosto arquitetônico.
Era proprietário deste lugar de descanso o bem quisto e popularíssimo sacerdote paranaense, Padre Linhares – Cônego José Jacinto de Linhares.  
Escassos são os dados biográficos que possuo do Padre Linhares, sabendo-o natural da cidade de Antonina e que durante algumas dezenas de anos foi vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Porto.
Foi também político exercendo funções públicas tais como Juiz de Paz, Inspetor Escolar, Superintendente de Ensino e Deputado ao Congresso Legislativo do Estado.


 Por se tratar de longa publicação continuaremos na próxima semana.

Publicado no Jornal do Rio em abril de 1951

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Luz para Morretes

O Paraná tem alguns aspectos paradoxais. Morretes por exemplo, é a antítese de Umuarama. Este novo município com apenas 4 anos de idade, tem 80.000 pessoas, 6.000 eleitores e cresce de uma forma espantosa. Morretes tem séculos e todos os dias morre um pouco de sua esperança de tornar-se uma comuna que não viva, apenas, do passado e de sua tradição.
Morretes, porem, vai ter luz elétrica fornecida de forma como jamais pensou ter, ou seja, graças ao sistema hidroelétrico que passara a constituir-se num fator novo para o atendimento do desejo dos morretenses que pretendem um pouco mais de progresso.
Trata-se de uma das primeiras obras do governo Ney Braga, ou melhor dizendo de uma etapa de trabalho que se concluíra em outubro, quando não só Morretes, como todo o litoral do Paraná vai ficar livre do sistema de fornecimento da energia elétrica por meio dos geradores diesel tão arcaicos quanto obsoletos, anacrônicos e onerosos.
O velho município de Morretes vai assistir hoje a este acontecimento que espantará um pouco a modorra de sua vida pacata, ou seja, a inauguração pelo governador do Estado da extensão da linha de transmissão da Usina do Marumby que lhe proporcionará energia proveniente do aproveitamento hidroelétrico. Em poucos meses de administração foi possível este fato, que é um episódio novo na história velha de um antigo município esquecido do litoral paranaense.


Publicado em 1961 em um jornal da capital.  

Da coleção de recortes de jornais de MLB     



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Homenagem aos irmãos De Bona Theodoro e Antônio

Antônio De Bona

Theodoro De Bona
Minha homenagem aos queridos tios Antônio e Theodoro, nascidos respectivamente em 12 de junho e 11 de junho, que pela bondade, honestidade, zelo pela família, amor ao próximo, deixaram  marcas indeléveis, cada um à sua maneira e muitas saudades para todos que com eles conviveram.

Zeila filha de Antônio escreveu sobre ele dia 12:
Hoje é dia de festa no céu!!!! Nosso anjo está de aniversário! E ele sempre gostou de festa. Nós aqui elevamos nossos pensamentos e orações em comunhão com aqueles que estão tendo o privilégio de estar com ele nessa eternidade, onde todos nós almejamos um dia estar para poder dar aquele abraço e agradecimentos que muitas vezes deixamos de dar enquanto podíamos que os anjos e Santos lhe abracem por todos nós que lhe amamos muito. Sua benção papai

Gioconda e Iracema, filhas de Theodoro publicaram:
Comemoramos o nascimento do nosso querido pai Theodoro De Bona.
São 25 anos sem sua presença, mas a lembrança dos bons e inesquecíveis momentos que passamos juntos está viva em nossos pensamentos e em nossos corações! 

Ahh!!!!! Quantas saudades!!!! Do seu jeito de ser, do seu carinho ,do seu imenso amor, do seu exemplo de vida constituindo uma família digna, unida e feliz.

Agradecemos a Deus por nos ter dado esse valioso presente em nossas vidas e procuraremos repassar para nossos filhos o ensinamento que nos foi dado por ele.

Hoje, no plano espiritual, junto ao nosso Criador agradecemos o privilégio de tê-lo como pai e expressar também o grande amor que permanece em nossos corações! !!
Suas filhas
Gioconda De Bona Moraes
Iracema De Bona Foltran





quarta-feira, 17 de maio de 2017

Rodovia Graciosa

Pinheiro  que marcava o início da descida  na rodovia Graciosa
Estrada da Graciosa ontem
Estrada da Graciosa hoje

A rodovia Graciosa completa hoje 90 anos. Foi no dia 20 de julho de 1873 que a estrada saindo de Curitiba e terminando em Antonina foi entregue totalmente ao tráfego. Antes alguns trechos haviam sido franqueados, mas sua inauguração oficial ocorreu no dia 20 de julho de 1973. O preço da obra custou na época 1.800 contos de réis. A ramal São João da Graciosa a Morretes passando por Pôrto de Cima custou em mais de 170 contos de réis. A construção da importante obra para a época e que tem hoje mais valor histórico, como um dos marcos do pioneirismo em nosso Estado, demorou 20 anos, pois os estudos, orçamentos e início da obra datam de 1853 durante o govêrno de Zacaria de Góes e Vasconcelos.
As despesas da construção correram metade pelos cofres gerais e a outra metade pelos cofres da Província,
Existe, ainda hoje, placa sob um pinheiro na estrada Graciosa com a seguinte inscrição: "À sombra deste pinheiro, diz a tradição, em 21 de maio de 1880, descançaram o sr. D. Pedro II, a família imperial e a imperial comitiva no seu caminho para Curitiba".


Hortênsias 
Curva da Ferradura
Rio Mãe Catira 

Notícia publicada em jornal da capital no dia 20 de julho de 1963.
Durante muitos anos, ao descer a serra, pudemos admirar o altaneiro pinheiro que abrigou a família imperial,  e que hoje infelizmente não faz mais parte da paisagem.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O ideal de servir, por Marcos Luiz De Bona

O ideal de servir*




Onde com mais intensidade vivemos quando possuídos do ideal de servir? Nas grandes cidades ou nos lugares pequenos, geralmente pobres?
Eis uma pergunta que não é difícil responder, visto que nas cidades pequenas – é evidente – mais se faz necessária a assistência ao próximo e mesmo a mútua assistência.
Dirão outros que nos grandes centros afluem necessitados de todas as regiões, com penoso acesso e permanência, a procura de alimentos, medicamentos e trabalho, fugindo de situações desfavoráveis, muitas vezes insuportáveis, ingressando em sua maioria em bairros pobres, outros concorrendo para a formação de míseras favelas, que se tornam campo propício à aplicação da assistência social, quando da iniciativa do governo, e do desvelo de piedosas senhoras, ou de sociedades beneficentes, quando da iniciativa particular.
Todavia, não há nessa atividade meritória nas grandes cidades, o reconhecimento pessoal. Trata-se de amparar não a pessoa ou a família, mas sim o grupo, num sentido mais coletivo. Entram os recursos do Estado, dando a impressão aos que são possuídos desses dotes coracionais de que aos poderes públicos cabe a obrigação total de proteção.
Já nos sítios, nos lugarejos, nas cidades pequenas o sentimento cristão de caridade se faz sentir em toda plenitude, através de uma ação desinteressada, dando tudo de si, sofrendo pelos outros, desenvolvendo uma atividade piedosa, no anonimato. Penetrando nos lares, conhecendo os problemas pessoais, vivendo com os que são infelizes Os corações bondosos terão um dia deixar de bater, mas tranquilos pela satisfação do dever cumprido.
Mas não é só com o que diz respeito à pobreza ou à doença que se exercita o ideal de servir. Por quantas outras razões e em quantas outras oportunidades se manifestam o sentimento da bondade, do altruísmo? Poderia ser um ideal servir até como criado, se bons os patrões; servir em vários sentidos a amigos; utilizar-se da sabedoria para ensinar; do amor, para amar; valer-se da capacidade de curar, para minorar os sofrimentos físicos; buscar forças da razão para amparar moralmente; julgar, fazendo justiça. Finalmente, a conquista suprema do ideal de servir – consagrar-se aos serviços de Deus, da Pátria e da Família.


*Artigo escrito por M.L.De Bona
Publicado no O Infalível, de Morretes e no
O Antoninense, em 1968


quarta-feira, 29 de março de 2017

Via Sacra por Theodoro De Bona - Igreja Matriz de Morretes

Interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto

Com a aproximação da semana santa não poderia deixar de escrever sobre a Via Sacra que se encontra no interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto em Morretes.
Quando meu tio, Theodoro De Bona, ainda morava no Rio de Janeiro recebeu um pedido do padre Walter, pároco de Morretes, para que ele desse uma contribuição da sua arte para a igreja da cidade. Como já havia em De Bona o desejo de pintar uma Via Sacra ele passou a fazer desenhos e esboços e aprofundou suas leituras bíblicas referentes ao assunto, tendo em vista a execução da obra que ocorreu nos anos de 1976 e 1977. Concluída e emolduradas as telas ele mesmo dourou as molduras com ouro em folha, que havia trazido da Itália.
Em 1978, depois de ter sido exposta na Biblioteca Pública do Paraná, os quatorze quadros seguiram para Morretes, onde podem ser admirados na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, uma das poucas do Paraná a possuir uma Via Sacra pintada à óleo, que figura entre as melhores obras de arte religiosa contemporânea do sul do país.

Dedico esta Via Sacra
á memória de minha mãe,
Cesira Bertazzoni De Bona,
que, possuidora de grande fé,
conduziu seus seis filhos pelos
caminhos iluminados por Cristo.

Algumas das telas da Via Sacra:
1ª estação: Pilatos pergunta à multidão se deve liberar Cristo ou Barrabás
4ª estação: Jesus encontra a sua mãe.
6ª estação: Verônica enxuga o rosto de Jesus
12ª estação: Jesus morre na cruz
13ª estação: O corpo de Jesus é retirado da cruz

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Carnaval em Morretes 2017

Aos amigos e foliões de Morretes e aos visitantes que comparecerem a nossa cidade para as folias do MOMO meus votos de ótimo carnaval. Diversão e alegria não podem faltar!





quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

SORRIA - POEMA DE Charlie Chaplin


Charlie Chaplin

Sorria, embora seu coração esteja doendo
Sorria, mesmo que ele esteja partido
Quando há nuvens no céu
Você sobreviverá...
Se você apenas sorrir
Com seu medo e tristeza

Sorria e talvez amanhã
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
 Se você apenas sorrir
Ilumine sua face com alegria
Esconda todo rastro de tristeza
Embora uma lágrima possa estar tão próxima
Este é o momento que você tem que continuar tentando

Sorria, qual a utilidade do choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas sorrir
Se você sorrir
Com seu medo e tristeza

Sorria e talvez amanhã
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas sorrir...
Este é o momento que você tem que continuar tentando

Sorria, qual a utilidade do choro?
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você apenas Sorrir


Charlie Chaplin

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Boas Festas!!!





video


Aos amigos do Blog De Bona Tenho Dito meus votos de Feliz Natal e um ANO NOVO repleto de PAZ, SAÚDE E ALEGRIAS. Grande abraço e  até 2017. 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Quem lembra desses festejos vai curtir e quem não conheceu poderá comparar os velhos tempos com a nossa atualidade!

FESTA DE FIM DE ANO EM MORRETES
MORRETES – (do correspondente) Várias festividades tradicionais serão levadas a efeito nos próximos dias características dos dias de Natal e Ano Novo.
A noite de Natal não terá aquela movimentação dos outros tempos, em que todo o povo dos sítios vinha para a cidade assistir aos festejos populares (bailes, fandangos, violeiros etc e a Missa do Galo), mas haverá a missa à meia noite na Igreja Matriz da cidade, seguindo-se outras comemorações e no fim do ano os clubes locais abrirão seus salões para os bailes de costume.


                                              Notícia publicada no jornal Estado do Paraná, em dezembro de 1964
                                                                       Recorte de jornal da coleção de MLB, livro V

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Bela reflexão, por Facundo Cabral

Você não está deprimido, não! Você está é distraído …
Distraído em relação à vida que preenche o seu ser,
Distraído em relação à vida que lhe rodeia,
Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caia nessa, como caem tantos, que sofrem por um único ser humano, quando existem cinco bilhões e seiscentos milhões no mundo.

Além do mais, não é assim tão ruim viver só. Você tem total liberdade de decidir, a cada momento, o que deseja fazer, e graças à solidão você tem tempo de conhecer-se melhor o que é fundamental para viver.

Não faça como tantos, que se sentem velhos porque têm setenta anos, e esquecem que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos

Você não está deprimido: está distraido! Você lamenta suas perdas… Perdas?! Tudo lhe foi dado! Você não fêz nem um só cabelo da sua cabeça, portanto nunca foi dono de coisa alguma.
Além disso, a vida não lhe tira coisas: apenas lhe alivia e liberta de muitas coisas, para que você possa voar mais alto, para que alcance a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola: o que você chama de problemas são apenas lições.

Você não perdeu coisa alguma: o ente querido que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueça que o melhor dele, o amor, continua vivo no seu coração.
O amor tem mais valor que tudo! Minha mãe, em sua sabedoria simples, dizia, “A pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas em excesso, e nos deforma, tornando-nos desconfiados.

Faça tudo com amor e será feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente fadado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. Não faça coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. Então terá a plenitude, onde tudo é possível sem esforço, porque entrará em ação a força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus lhe deu a responsabilidade por um ser humano: você! Dê felicidade e liberdade para si mesmo. Só então conseguirá compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.

Lembre-se: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Então reconcilie-se consigo mesmo, coloque-se na frente do espelho e lembre-se que esta pessoa que você está vendo é uma obra de Deus, e decida neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição valiosa.

Aliás, a felicidade não é um direito, mas sim um dever; porque se você não for feliz, você sozinho irá contaminar o ar com a sua amargura carrancuda, afetando a vida de todas as pessoas, por onde você passar.
Um único homem que não tinha talento nem valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, Don Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se você está com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, coloca em liberdade o seu corpo, que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)... Se você ganha, será mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não, você não está deprimido, você está é desocupado.
Ajude a criança que precisa da sua mão, ajude os mais velhos… assim os jovens lhe ajudarão quando chegar a sua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é também gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão depois de nós.

Dê sem medida, e receberá sem medida.
Ame até tornar-se um ser amado; mais ainda, converta-se no próprio Amor.
E não se deixe enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é majoritário, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz muito mais barulho que um gesto de carinho, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carinhos que alimentam vidas.

Viver vale a pena, não é mesmo? Sabe, se Deus tivesse uma geladeira, teria você numa foto grudada na porta. Se ele tivesse uma carteira, sua foto estaria nela. Ele lhe envia flores a cada primavera. Ele lhe envia um nascer do sol a cada manhã. Cada vez que você quer falar, Ele escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, mas escolheu o seu coração!

Deus não lhe prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva… porém Ele prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas, e luz para o caminho.


“Quando a vida lhe trouxer mil razões para chorar, encha o peito de ar e repita em voz alta as suas mil e uma razões para sorrir.”
Facundo Cabral

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Festa do Chopp Sábado em Morretes!!!

Em tempo da Oktoberfest passo a vocês uma recordação da festa ocorrida em Morretes em 1966  - a festa do chopp, que surgiu na Alemanha, hoje famosa no mundo inteiro.




Morretes assistirá pela primeira vez na sua história social, uma festa do chopp. Isto acontecerá no próximo dia 29 quando no Clube 7 de Setembro  será levada a efeito uma estrondosa festa.
Enorme quantidade de canecas já foi vendida esperando-se um resultado financeiro apreciável para reverter em favor de reformas na sede social. A atual diretoria está com meritórios propósitos quais sejam os de ampliar o salão de baile, reformar o bar e instalações sanitárias, isso ao que diz respeito ao progresso material.
Quanto ao social também quer movimentar o clube de modo a fazer voltar a frequentar seus bailes e outras reuniões toda a sociedade morretense fazendo reviver os dias faustosos do passado da nossa tradicional agremiação.
A nova Diretoria recentemente eleita e empossada é a seguinte:
Presidente – Alaor Silvério, Vice – Mário Lorusso, Secretários – Eric Hunzicker e Alfredo Gnatta, Tesoureiros – Orlando Conforto e Augusto Araújo, Oradores – Drs.Luis Dilson de Souza Pinto e Sidney Antunes de Oliveira,
Bibliotecário – Dr. João Batista de Freitas,
Diretor Social – Foed Smaka,
Diretor da sede – Tufy Chimure.
Conselho deliberativo – Antônio R. Filho, Lauro Consentino, Arquino Bornancim, Haroldo F. de Souza, Hostílio de Freitas, Gilberto L. Ferreira e Odival Miranda Pinto.
Tomada de contas – João Pinto Veloso, Dagoberto Ribeiro, e Dr. Gaelser Pereira Gomes.
Conselho Fiscal – Hamilton Ferreira, Guy Royer, Dr. Genor Silva, Luiz Carlos Hunzicker, Guilherme Silvério Filho, e Altair Bornancim.

Procurador – Arthur Hunzicker


                                                      Notícia publicada em jornal da capital, no dia 20 de novembro                                                         de 1966, integra a coleção de recortes de MLB.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

LIBRANDO O ACENDEDOR DE LAMPEÕES!!!

É difícil pensarmos em Morretes no fim do século XIX, com lampiões iluminando as ruas, acesos pelo caboclo Librando. Leiam o texto e imaginem a cena. 

Librando, um caboclo guapo e forte, alegre e boêmio, era o acendedor dos lampeões das ruas de Morretes, já pelos anos de 1895 e 1896. Dizia-se, que antes dessa missão, fora Librando caixeiro do armazem do seu Caetano Babão, cuja especialidade era a venda de lampeões, castiçais, mangas de vidro, pavios e querosene; e mais, bacias-banheiro, urinóis, secção de quinquilharias, etc. Também lá se vendiam remédios a jalapa (...) E, se procuravam urinóis, seu Caetano respondia que tinha de todos os tamanhos, mas que era preciso trazer as medidas... Espírito e graciosidade de antanho.
Librando era também cantador e tocador de viola. Nascera lá na encosta do poético Anhaia, no sítio do Sarapiá, caminho de Barreiros, antigo porto marítimo com armazem de aduana e fiscalização.
Morava do outro lado do "Nhundiaquara gentil"... o rio-amor do glorificado poeta Juca Moraes, quando nem se pensava em ponte de ligação.
A tardinha, com bom ou mau tempo, velejava Librando, ao "xoa" do rêmo na sua canôa de  "guadiruvú", cigarrinho de palha à boca, rumo às cotidianas obrigações cantando:

Nhundiaquara, rio corrente
que desliza para o mar;
na canôa nem se sente
Vista do Rio Nhundiaquara
o barulho do mar...

Quando ao outro lado passar,
- rio querido, rio amor;
ouças meu rêmo cantar
- rema, rema remador.

P'ra Morretes dar confôrto,
Quando acende o lampeões;
à Nossa Senhora do Porto
Librando faz-lhe oração...

Ninguém sabe acreditamos sejam dêle ou de alguém, essas rimas cablocas. Seja como for, simples embora, revelam inspiração.
Librando foi feliz. Vivia cantando. Se teve dores, sabia disfarçá-las. Boêmio, dava-se com todos. Gostava de "matar o bicho" num traguinho no armazem do Maneco Maria (...)
Finalizado o seu mister, que às vêzes amanhecia, ia tomar café e fazer compras para as venerandas morretenses: Nhá Euristela e Nhá Isabel Massaneiro, para a casa do "seu" João Negrão e para o sr. Camargo, chefe da agência telegráfica, que então era a Central do Paraná (...) 

*Artigo do sr. Octávio Secundino, publicado no jornal
O Estado do Paraná, em 23 de dezembro de 1955.