quarta-feira, 4 de julho de 2018

O MODELO



Amanhã dia 5 de julho minha tia Orbella Bellinha Brambilla faria 98 anos! 
Falecida em 2014, aos 94 anos, tenho certeza, ela nunca imaginou que viveria tanto!
Sempre ligada as artes começou a desenhar e pintar muito cedo. Gostava de música e literatura e quando ia as compras não dispensava uma visita a Livraria Guignone e também uma parada numa casa de discos.

Quando estava inspirada gostava de escrever e entre seus rascunhos gostei do poema O MODELO, que transcrevo abaixo.



O Modelo


Vem, pose para mim...
O que preciso fazer?
nada...
ficar quieto.

Vem, peço-te...preciso de um modelo.
Sim, quero pintar um Cristo,
deitado... assim,  os braços abertos,
sem cruz, um pé sobre o outro...

Não consegue ficar quieto?
Não, não, prometo... não porei pregos.
Certo? Irá sentir coceiras?
Faz um pouco de sacrifício
Olhe fixo para o teto...
ou prefere posar de são Sebastião?
Não?...também prometo,
não porei lanças.
Não são lanças?...são flechas?
Também não?
e então?...
Um São Sebastião...assim...
apenas a feição...
os olhos voltados para o alto...


Orbella (Bellinha) Brambilla

Curitiba 1976

Telas do acervo de Orbella Brambilla

  



sexta-feira, 15 de junho de 2018

Hinos cívicos

Durante a greve dos caminhoneiros ouvimos em inúmeras ocasiões o Hino Nacional Brasileiro e o Hino à Bandeira que antigamente, nas escolas, eram cantados antes ou durante as aulas. No currículo tínhamos as matérias Música/canto, Educação moral e cívica e sabíamos de cor estes e outros hinos brasileiros! Também ouvimos nossos hinos que invariavelmente nos emocionam, em eventos esportivos e sociais, porém para grande decepção nem todos os presentes conseguem acompanhar a cerimônia, pois desconhecem os seus versos!  Lembrei-me então da carta de *Francisco Manoel da Silva, que em 1838 escreveu ao imperador D. Pedro II, sobre a importância da música nas escolas e nas nossas vidas.

Leiam abaixo a carta de Francisco Manoel da Silva a D. PedroII

*Autor da letra do Hino Nacional Brasileiro




**Dedicatória
SENHOR,

    O desejo de ver a arte, a que me dediquei, elevada no meu paiz aquelle grau de consideração, que as nações ainda as mais incultas lhe tem atribuido, animou-me a publicar este Compendio de Musica, e a dedical-o  a V.M.I. para, se o julgar digno, servir de instrucção aos alumnos do Collegio, que V.M.I. honrou com Sua Protecção. Com a creação da cadeira de Musica do mesmo Imperial Collegio, V.M.I. tirou esta bella Arte do abandono, em que jazia desde 7 de abril de 1831: dando a mais solemne demonstração, de que tendo todo o mundo reconhecido a necessidade de cultival-la, não devia o Brasil por mais tempo ser privado de sua utilidade, e dos meios para o seu desenvolvimento.
    A musica, Senhor entre nós, foi até riscada da cathegoria das Bellas Artes, e praza ao Céo que a Protecção  de V.M.I. a faça resurgir mais bella do que nunca, do estado de anniquilação em que existe, collocando-a no lugar, que lhe a sido destinado pelo mundo inteiro.
    Digne-se portanto V.M.I. acceitar este pequeno tributo do mais desinteresado Patriotismo, e do mais decidido amor pelas Bellas Artes.

           Rio, 1 de Janeiro de 1838

                                            FRANCISCO MANUEL DA SILVA   

** Coleção Recortes de jornais de MLB


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Mais uma homenagem...

No ano de 1975 meu pai “seu Marquinhos” recebeu uma homenagem inusitada, que foi publicada no dia 19 de março, nas Entrelinhas da Gazeta do povo.

Marcos discursando em evento na Delegacia da Receita Federal

Todos os anos, no Dia das Mães, os colegas do funcionário público Marcos De Bona, reúnem-se na repartição pra prestar-lhe homenagem. Ele é considerado a “mãe” dos servidores que atuam ao seu lado. Foi a maneira mais carinhosa que eles encontraram para reverenciar o companheiro que é tido como protótipo do bom colega. Viram no gesto uma forma para exaltar os predicados de Marcos: um homem paciente, tolerante, compreensivo e amigo de todas as horas.

Gazeta do Povo - 19/03/75



Marcos na sacada do prédio da DRF


quarta-feira, 9 de maio de 2018

DIA DAS MÃES


Uma homenagem a minha querida mãe Olguinha e a todas as mães amigas do Blog. 
Para Sempre!
Olga Brambilla De Bona

Por que Deus permite 
que as mães vão-se embora? 
Mãe não tem limite, 
é tempo sem hora, 
luz que não apaga 
quando sopra o vento 
e chuva desaba, 
veludo escondido 
na pele enrugada, 
água pura, ar puro, 
puro pensamento. 
Morrer acontece 
com o que é breve e passa 
sem deixar vestígio. 
Mãe, na sua graça, 
é eternidade. 
Por que Deus se lembra 
— mistério profundo — 
de tirá-la um dia? 
Fosse eu Rei do Mundo, 
baixava uma lei: 
Mãe não morre nunca, 
mãe ficará sempre 
junto de seu filho 
e ele, velho embora, 
será pequenino 
feito grão de milho. 


Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas' 

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Dia do Trabalho


Discurso proferido na Sociedade dos Operários,
em 1º. de maio de 1957.


Mais uma vez se reúnem os sócios da Sociedade Beneficente Recreativa dos Operários para comemorar o Dia do Trabalhador, o 1º de maio, mundialmente dedicado ao trabalho. É um dos feriados mais significativos, servindo para confraternização da classe obreira, como também para demonstrações de civismo, através de movimentos patrióticos que visam ao engrandecimento da nossa Pátria.
As concentrações realizadas no Campo de São Januário, no Rio de Janeiro, por exemplo, na data de hoje, tornaram-se famosas desde os tempos do inolvidável Presidente Vargas. O nosso atual eminente Presidente, Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, ainda hoje, mais uma vez presidiu a uma extraordinária concentração de trabalhadores, na Capital da República, no mesmo histórico Campo de São Januário.
Pelo que tivemos ensejo de ouvir pelo rádio, tal reunião de todas as entidades de classe constituiu-se uma maravilhosa demonstração de civismo, tendo o orador oficial feito uma comovente demonstração de fé nos destinos do Brasil, afirmando que o braço humano brasileiro estará a serviço do progresso, não só no terreno industrial, como comercial e agrícola, e em todos os sentidos, na paz que se pretende duradoura.
E, se por infelicidade, nossa Pátria for chamada às armas, não por vontade nossa e sim pelas contingências de defesa da terra e da democracia, nossos operários estarão prontos a abandonar as fábricas para empunhar as armas, ou se dedicar de corpo e alma à causa da defesa.
Respondendo, comovido ante a solidariedade do operariado e do povo brasileiro, S. Exa, o Sr. Presidente da República, disse dos propósitos que o animam a batalhar incessantemente pelo bem-estar de toda a gente e a assegurar aos homens do trabalho a sagrada justiça que for devida a todo aquele que seja um cumpridor de seus deveres. Congratulou-se com a enorme massa popular, prosseguindo os festejos com extraordinário entusiasmo.
Também em Morretes, embora não com a pompa da Capital, aqui nos achamos, dentro da benemérita Sociedade Beneficente Recreativa dos Operários, prestando homenagem, neste grande dia, aos operários Morretenses e nos congratulando com todos aqueles que têm o sentido do trabalho, do trabalho não só material como também espiritual, daqueles que têm suas atenções voltadas para o bem público, daqueles que têm a preocupação de servir ao próximo.
Estou convencido que força divisória alguma, por mais maldosa que seja, conseguirá desunir as mãos que, como símbolo, estão esculpidas na fachada desta casa. A união faz a força e eis que membros da diretoria e associados da Sociedade dos Operários de Morretes continuam e continuarão sempre unidos nas comemorações desta data magna, em que todos sentem a satisfação em manifestar o seu contentamento, a sua amizade, o seu desejo de contribuir para o bem geral.
Meus caros consócios!
Embora sendo 20 de dezembro a data da fundação da nossa sociedade, em atenção ao dia 1º. de maio, ficou, há muitos anos, estabelecido este dia para a prestação de contas.e tomada de posse da nova diretoria.
Quero nesta oportunidade prestar minha homenagem aos que fundaram esta tradicional agremiação, no distante ano de 1896. A esses vultos eminentes a nossa perene gratidão por terem dotado Morretes de tão esplêndida sociedade, para unir a classe operária e toda a família de nossa terra.
Por fim, nossa homenagem sincera aos sócios beneméritos, pessoas que, mercê de relevantes serviços ou por terem contribuído por longos anos ininterruptamente, para o bem da sociedade, fizeram jus a essa distinção.
Finalmente, faço um pequeno comentário sobre a situação financeira atual.
Agradeço em nome dos presentes os bons e reais serviços prestados pelo Presidente que hoje deixa o cargo, Sr. Loury Alpendre, ao Sr. José Pereira, Presidente do Conselho, e demais companheiros de diretoria, todos esforçados e dedicados, e comunico que a nova diretoria tudo fará com o Sr. José Porcides à frente, como Presidente, e o Sr. Miguel Chimure, como Presidente do Conselho, tudo fará, repito, pelo engrandecimento da Sociedade Beneficente Recreativa dos Operários de Morretes, correspondendo assim à confiança que em nós depositaram.
Tenho dito.

Sociedade dos operários em dia de festa


* A sociedade Beneficente Recreativa dos Operários de Morretes foi fundada em 1896. Este discurso e mais os nomes dos seus fundadores e presidentes encontra-se no livro TENHO DITO, pagina 119.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

EKÔA PARK



Meu pai “seu Marquinhos” grande conhecedor da história de Morretes, quando solicitado, narrava as dificuldades econômicas enfrentadas pela cidade com o declínio dos engenhos de erva-mate, cana-de-açúcar, mina de Penajoia, construção da BR 277 e outras. No discurso do dia 31 de outubro de 1949 citou a estrada de ferro que no afã de estender o progresso para o planalto tirou da nossa terra a primazia da indústria e comércio!
Imagino a sua alegria se estivesse conosco vendo o atual progresso de Morretes. A cidade repleta de turistas caminhando pelas ruas, antigamente vazias, comprando artesanato, bebericando nossa excelente cachaça,  saboreando o gostoso barreado e visitando o mais novo empreendimento local: o parque temático EKÔA PARK.
Inaugurado dia 3 de março último ocupa uma área de 238 hectares da mata atlântica.  O nome de origem tupi-guarani significa morada e tem por missão ensinar por meio da natureza o respeito e amor pela biodiversidade.  Adriane Perin, diretora do parque e ambientalista nos diz que a natureza nos ensina diariamente, nos inspirando a solucionar problemas, além de melhorar significativamente nossa qualidade de vida. É essa experiência transformadora que iremos oferecer no EKÔA PARK.


Este é um parque temático imenso, onde crianças e adultos têm muito para ver, aprender e curtir. Além da belíssima paisagem o turista tem o privilégio de conhecer de perto a mata atlântica, participar de oficinas, aventuras, práticas ecológicas, observação de pássaros e atividades de lazer e entretenimento como:
- Trilha da mata
- Trilha das aves
- Corredor dos sentidos
- Morro da aventura
- Trilha do Peabiru
- História de Morretes
Localizado na Estrada da Graciosa, Km 18,5 s/n São João da Graciosa, Morretes, está aberto aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.


Ingressos: a partir de R$60,00/dia para acesso ao Ekôa Park. Crianças até 3 anos não pagam, estudantes e idosos pagam meia. Esse valor de diária da acesso a toda a área do parque, acesso a todas as trilhas, observatório de aves, oficinas e projeção 180º. Aceita cartão de débito, crédito ou dinheiro.
As atividades de aventura são cobradas a parte. Pacote aventura(tirolesa/arvorismo/bolha humana) R$90,00 / voo de balão cativo R$90,00  voo incluindo descida de rapel R$120,00. Atividades avulsas: arvorismo R$40,00 / Tirolesa R$30,00 / bolha humana R$20,00. 
Obs.: Esses valores podem mudar com o tempo. Verifique as atualizações sempre no site do parque:
http://www.ekoapark.com.br/

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Eleições na Morretes antiga

Caros amigos


Em tempo de eleição sempre recordo Morretes com os comícios muito concorridos, o gostoso barreado distribuído abundantemente e animadas festas, seguidos do importante acontecimento: o voto obrigatório no Brasil. 
Vou compartilhar com vocês algumas fotos e recortes de jornais daquela época.

Cidadãos que contribuíram para a história da política em Morretes 

No centro do palanque o Prefeito Cezar Alpendre ladeado de políticos da cidade e do Governador Moisés Lupion







Dr. Alcidio Bortolin




Arlindo de Castro


  
Sebastião Cavagnolli






Giocondo Dall Stella






Luiz Renato Malucelli





 
Pedro Zanikoski

 












Santos De Bona

Dr. Pedro Alves Barauna



quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Natal



Belém...
Longe daqui, no fundo de uma estrebaria,
nasceu Jesus, o Rei do mundo!...

Os fiéis, nas igrejas, bimbalham os sinos,...
Bimbalham, bimbalham, e os bronzes, feridos,
batendo, cantando, bem alto, bem fino,
proclamam, aos gritos, com muita harmonia:

Belém, acorda!...Belém acorda!...
Tudo é alegria!...Tudo é alegria!...

E a noite, enluarada e ruidosa, era um dia,
era um dia ruidoso em que, finos e firmes,
os sinos gritavam de bocas abertas:

Palestina, sus!...Palestina sus!...
Já nasceu Jesus!...Já nasceu Jesus!...

Como toda criança, Ele nasceu pequeno,
porém, no claro azul do seu olhar sereno,
todo o azul do céu azul por Deus cabia,
cabia como Ele, o Nazareno
coubera no ventre de Maria.

Recebi há algum tempo dos meus ex-alunos Arlindo e Paulo o livro "SINFONIA" com poemas do seu pai Arlindo de Castro. Todos muito bonitos mas este, em tempo de Natal, foi por mim selecionado para enviar aos amigos juntamente com meus sinceros votos de BOAS FESTAS 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Padre Saviniano

Discurso proferido por ocasião da
inauguração do retrato do Padre Saviniano,
no Ginásio Estadual Rocha Pombo, no ano de 1953

Ao ser prestada uma homenagem a um vulto Morretense procurou-se, como era natural, comunicar esse ato às pessoas da família, para que se fizessem representar. Porém no caso presente, embora possuísse o virtuoso Vigário de Morretes parentes em segundo grau residentes na cidade de Curitiba, não acharam os organizadores desta solenidade, que o orador, o representante da família devesse vir de outra cidade.
Acreditaram que era aqui em Morretes que deveriam procurar aquele que, mais que ninguém, sentisse pelo homenageado amor, veneração, saudade. E ao ser convidado um Filho de Maria não visaram, também, os organizadores deste preito, à pessoa e sim ao que ela representa.
A família do Padre Saviniano é o povo de Morretes, e o orador é o representante desse povo, integrado em sua vida em muitos sentidos, inclusive no âmbito religioso onde se desenvolveu a figura ímpar do saudoso Sacerdote. Portanto, cabe ao povo agradecer esta homenagem, e o orador vem fazê-lo, com a emoção que sentem aqueles que falam com o coração.
O Padre Saviniano Ferreira bem merece a homenagem da colocação do seu retrato neste estabelecimento de ensino, porque foi ele também dedicado e competente Professor, sendo profundo conhecedor do idioma nacional e da língua latina. Ademais, os jovens que aqui receberam as luzes da instrução secundária, têm em sua memória especial veneração pela figura deste apóstolo do bem, por terem recebido, de suas mãos, as águas do batismo.
Independente desses traços que ligam a personalidade do piedoso Vigário ao vitorioso cometimento que é o ginásio de Morretes, não deve haver um só lugar em nossa terra que não sinta a presença daquele que, no dizer de saudoso Morretense, comparava-se a uma árvore robusta, cujo cerne não se prestava para alimentar fornalhas, mas que fornecia calor aos fogões dos pobrezinhos. Árvore que sempre pejada de flores e frutos, estava plantada à porta das choças dos pequenos, dos que sofriam para lhes dar a sua sombra, o seu pomo, a música de suas franjas. Árvore que alimentava o corpo, e como nas lendas, falava aos homens uma linguagem cheia de ensinamentos, doces conselhos de vida evangélica e simples.
O sacerdote de humildade franciscana passou pela terra como uma estrela cadente, para lançar nas almas que o compreenderam e hauriram seus ensinamentos uma sementeira de luz, em que as flores divinas do amor, da pureza, da bondade, do altruísmo e das mais belas virtudes cristãs desabrocharam plenamente. Desabrocharam como uma prova dos cuidados e da dedicação sem par do jardineiro que as semeou e as regou com suas lágrimas, dia a dia, minuto a minuto, dando-lhes às vezes o calor gerado pelos seus próprios sofrimentos físicos.

O poeta Gelbeck escreveu estes versos em homenagem a um justo:

Cantar os que passaram para a história,
Nos cavalos de bronze resupinos,
Falar dos que na liça se mostraram
De armaduras de ouro e lança em riste,
Relembrar os escudos de nobreza
Que se esculpiram nos portais do orgulho,
Bem se pode fazer enchendo o peito
De chama viva e de tonante gesto.
Mas colher cautelosa entre mil folhas
A meiga violeta que se esconde
E só pelo perfume se revela,
É preciso ter a alma aberta ao sonho.
Achar um coração, como a bonina
Que nasce ao longe dos jardins vaidosos,
Descobrir na batina empobrecida,
A bondade sublime de Anchieta.
É preciso que Deus nos guie os passos
Para encontrar a pérola no fundo
Do mar imenso desta vida incerta.
Da gratidão a boca em prece ardente
Proclamou o valor de um padre humilde
O modesto vigário de Morretes:
SAVINIANO

Meus Senhores!
Agradeço, pois, de todo o coração, ao ilustre Sr. Dr. Luiz Silva e Albuquerque e às demais nobres figuras que compõem os quadros do novel e já muito conceituado Ginásio Estadual de Morretes, a bondosa iniciativa da homenagem, que outro objetivo não teve senão premiar uma vida santa, desapegada inteiramente dos bens fugazes deste mundo, piedosa e exemplar e que se dedicou totalmente a Deus e às almas.
Nesta oportunidade, felicito os Professores e os alunos pelo feliz encerramento do ano letivo, concitando a mocidade a continuar em seus estudos visando a elevar o nível cultural de nossa terra e o sucesso na vida particular de cada um.
Renovo meus agradecimentos e o propósito do povo de Morretes que represento, de trazer sempre presente em sua memória e em seus corações, os felizes momentos da inauguração do retrato, nesta sala, do nosso inesquecível Padre Saviniano.
Tenho dito.




Publicado no livro Tenho dito ; Morretes e morretenses 
nos discursos de Marcos Luiz De Bona, p.65

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Semana de cultura 2017

Foi com grande satisfação que recebi através da minha prima Claudine De Bona a programação do PROJETO SEMANA DE CULTURA 2017, da ACADEMIA DE CULTURA DE CURITIBA, com início dia 6 de novembro próximo às 14:00. Neste dia, após a abertura, os temas abordados versarão sobre Poesia e Literatura.
Dia 7, serão apresentadas várias oficinas sobre Artes plásticas e Esculturas, seguidas de homenagem ao artista plástico paranaense De Bona, com depoimentos e exposição de obras.

De Bona um dos maiores artistas plásticos do Paraná é merecedor de tal preito. Reconhecido no Brasil e no exterior teve premiada a sua tela PARAISO PERDIDO, pintada em Veneza em 1939, e adquirida oficialmente pela Galeria da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro para a Pinacoteca Nacional.
Paraíso perdido, por Th De Bona, Veneza, 1939

Dia 8 – Cinema e Teatro de fantoches
Dia 10 – Música e dança
Repasso a programação completa para que todos possam escolher o que lhes interessa, com hora e local definidos.

Amigos esta é uma ótima oportunidade para um upgrade cultural.Vamos aproveitar!

PROGRAMAÇÃO DIÁRIA DO PROJETO SEMANA DE CULTURA 2017 – ACCUR – ACADEMIA DE CULTURA DE CURITIBA.

06.11.17 - PRIMEIRO DIA – SEGUNDA FEIRA - LITERATURA E POESIA

14:00 H – ABERTURA OFICIAL
14:20 H – MESA REDONDA COM A PARTICIPAÇÃO DE PRESIDENTES DE ACADEMIAS – ENTIDADES - DIRETORAS DE ESCOLAS E PROFESSORES.
TEMA: O INCETIVO A CULTURA, A LEITURA, PARTICIPAÇÃO E TRABALHOS EM BIBLIOTECAS – A EVOLUÇÃO DA CULTURA EM GERAL NO BRASIL.
15:30 H – CONTAÇÃO DE HISTÓRIA
16:00 H – HOMENAGENS E DEPOIMENTOS - “ VIDA E OBRA DE HELENA KOLODY”
16:30 H – TEATRO
17:00 H – ENCERRAMENTO COM COFFE-BREAK
PARALELO EXPOSIÇÃO DE LIVROS E PAINEIS LITERÁRIOS

REALIZAÇÃO DO EVENTO: ESPAÇO SESC


07.11.17- SEGUNDO DIA – TERÇA FEIRA – ARTES PLASTICAS E ESCULTURAS

14:00 HS – ABERTURA OFICIAL
14:20 HS – OFICINAS
1ª OFICINA – COORDENADO PELA ARTISTA PLASTICA CYROBA RITZMANN – “DESENHO GEOMÉTRICO”
14:40 HS – OFICINAS
2ª OFICINA – COORDENADA PELA ARTISTA PLASTICA MARISA SARAIVA
“MODELAGEM”
15:00 HS – OFICINAS
3ª OFICINA - COORDENADA PELO ARTISTA PLASTICO DOUGLAS KRIEGUER “PERSPECTIVA”
15:20 HS – OFICINAS
4ª OFICINA – COORDENADA PELA ARTISTA PLASTICA NEUSA PAROLIN
“ESPECTRO DE CORES”
15:40 HS – HOMENAGEM AO ARTISTA PLASTICO PARANAENSE DE BONA
COM DEPOIMENTOS E EXPOSIÇÃO DE OBRAS
16:00 HS – VIDEO DA HISTORIA DA ARTE  POR BEATRIZ OLIVEIRA PAOLA
16:20 HS – VIDEO DE ESCULTURAS PELO ARTISTA GAGLIASTRI
16:40 HS – PARTICIPAÇÃO DO ESCULTOR GIULIANNO ROVEDO – AULA PRATICA
17:00 HS – ENCERRAMENTO COM COFFE-BREAK

REALIZAÇÃO DO EVENTO: SESC


08.11.17 - TERCEIRO DIA – QUARTA FEIRA – CINEMA – TEATRO DE FANTOCHE

14:00 HS – ABERTURA OFICIAL
14:20 HS – PALESTRAS – HISTORIA DO CINEMA POR SOLANGE STECZ
14:50 HS – A EVOLUÇÃO DO CINEMA PARANAENSE POR FERNANDO SEVERO
15:20 HS – DEBATE – ARTISTAS E PRODUTORES PARANAENSES CONVIDADOS – TEMA: “A EVOLUÇÃO DO CINEMA NO PARANÁ”
16:20 HS – PROJEÇÃO DE UM CURTA DE FERNANDO SEVERO
17:00 HS – ENCERRAMENTO COM COFFE-BREAK

ESPAÇO A DEFINIR – Cinemateca ou Bandeirantes

10.11.17 - QUARTO DIA – QUINTA FEIRA – MUSICA E DANÇA

15:00 HS – ABERTURA OFICIAL
15:20 HS – CORAL DANTE ALIGUIERI
16:00 HS – DANÇAS DE ETNIAS – GREGA
16:30 HS – CANTO LIRICO – PAULO BARATO E MARCIA KAISER
17:00 HS – DANÇA DE ETNIAS – POLONESA
17:30 HS – ESCOLA MUSICAL BROADWAY
18:00 HS - BANDA MUSICAL
OPÇÃO DE O EVENTO SE PROLONGARPOR MAIS UMA HORA
19:00 HS – ENCERRAMENTO COM COQUETEL

ESPAÇO MUSEU MON – AUTORIDADES – CONVIDADOS – ENCERRAMENTO E CONCLAMAÇÃO PARA O EVENTO EM 2018.

Maria Inês  P. Borges da Silveira               Kleber Schoneweg Wolf
               Presidente                                                Acadêmico

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Chácara do Padre Linhares - Parte dois


Teve em Morretes um excelente Colégio, que ministrou instruções a várias gerações e era o entusiasta organizador de animadas, alegres e recordativas festas da Padroeira de Nossa Senhora do Porto, de São Benedito, do Bom Jesus do Cari, das memoráveis festa do Bom Jesus do Cardoso, de São Sebastião do Porto de Cima, de São Pedro do Anhaia e das do Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade, com alegres cortejos, organizados por mocinhas e rapazes, que, com salvas para óbulos percorriam a cidade, de casa em casa, precedidos de banda de música do maestro Manoel Adriano de Freitas, Henrique Dias, João Adolfo, Nôno e outros musicistas de então, e que as donas de casa recebiam a divina visita das Bandeiras, com os “Pombinhos Santos” oferecendo mesadas de doces e n’algumas das quais, a juventude aproveitava  dançando ao som da música, macias valsas ou do “corropio”, polkas, shotis, mazurcas, etc.


Ah! Bom tempo! Tempo que não volta mais... e quanta saudade!...
A “Chácara do Padre Linhares”, que dispunha de todas as comodidades, era um dos pontos preferidos para passeio e distração das visitas e da alta sociedade morretense.
Era um dos mais ricos pomares que se conhecia. Possuía frutas de todas as qualidades, até as mais raras, e seu contorno ajardinado num belo colorido de flores, trescalantes de suaves fragrâncias.
A “Chácara do Padre Linhares” era um solar aristocrático, ostentando os pergaminhos da nobreza, na opulência do seu todo e no conjunto do bosque dos seus arvoredos. A chácara era motivo de orgulho para quem a possuía e motivo de admiração para quantos a visitavam.
Ali desfrutava-se a sedução de amenidade climatológica, o que tudo deu a “Chácara do Padre Linhares” milagre de seus dias áureos marcados por uma grandeza espiritual que o tempo levou... e que representou bem um estilo fidalgo de vida, o sentido de conforto.
Hoje parece-nos a “Chácara do Padre Linhares” essa pátina da tradução de uma terra e de um povo, chora saudosa nas suas ruínas.

Recordando essa régia chácara que fala de um passado da amorosa terra de Silveira Neto, de Juca Moraes,   de Bingue Werneck,   de Ricardo Lemos,   de Juca Gelbeck,   de João Turim,   de Aguilar Moraes,   de Rodrigo de Freitas,   de Langue de Morretes,   de Theodoro De Bona, de Luiz Bastos,   de Chico Negrão,   de Frederico Oliveira,   de Maria Cândido Cordeiro,   de Targina Costa Pinto,   de Urbano Carrão,   de Marcelino Nogueira Junior,   de Odilon Negrão,   de Bento Gonçalves,   de Rômulo Pereira,   de Dona Mimina, Arthur Loiola,   Comendador Dodoca,   Agostinho Leandro,   Juca Pedro,   Joaquim Carmiliano,   Comendador Joaquim Alves,   Joaquim José dos Santos,   João Negrão além de outros muitos morretenses dignos e ilustres, numa homenagem a essa terra cheia de coisas boas da vida e a esse povo que tem coerência que é atributo de sensatos, unidos pelo mesmo perfume de seus lírios ao perfume do trabalho e da amizade, pego de minha desafinada lira para entoar-lhes estes meus versos de saudade: 



Morretes

No teu seio de lírios e fragrância,
Eu sinto uma feliz tranquilidade,
Um prazer agridoce, uma saudade
Dos tempos ideais da minha infância.

Os olhos fecho: como linda estância,
Entre montanhas vejo-te. E quem ha de
Rever-te sem rever a mocidade,
Quando te evoco, em cismas, à distância?

Berço querido do meu velho Pai,
Por ti, de joelhos, este servo cai,
Em prece de suavíssimo conforto.

Que teu povo cortês, em marcha avante,
Do progresso na senda rutilante,
Tenha um guia de amor: Virgem do Porto!