segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Natal 2015


Obrigada a vocês que curtem minhas mensagens. A todos um Feliz Natal e um Novo Ano repleto de paz, saúde e alegrias.
Ligia De Bona

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal do Papa Francisco - 2015


O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.
Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.
O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.
Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.
Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.
A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.
Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.
A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.
Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos.
A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.
O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.
O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.
Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.
A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.
Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.
Um muito Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.

Papa Francisco

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Necessária a construção de um Hotel Municipal em Morretes

Nossa cidade tem experimentado, nos últimos anos, boa melhora. Antes não contávamos com um bem aparelhado Hospital Maternidade, com Posto de Puericultura, Ginásio, Escola Normal, ruas calçadas, luz elétrica noite e dia, água e esgoto e bons clubes. 
Hoje já se goza desses benefícios. Entretanto outros melhoramentos ainda estão para vir, a fim de que Morretes se torne mais atraente e tenha progresso condizente.
Dentre estes melhoramentos a que nos referimos, destaca-se a necessidade que a nossa cidade possuí de um Hotel dotado de todos os requisitos modernos, bem localizado e dirigido por pessoal especializado. O ideal será um Hotel Municipal, porém por hora o poder publico não está em condições, pois existem outras obras mais necessárias e urgentes, alinhando-se dentre elas, um prédio para a Prefeitura e a construção das pontes sobre os rios do Pinto e Sagrado. 
Todavia com o bafejo oficial, talvez uma organização mista pudesse tomar a si este encargo, o que seria esplendido para Morretes, pois atrairia especialmente no inverno inúmeros forasteiros, que veriam gozar os benefícios do clima nessa estação. 

Publicado em Agosto de 1956




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Súplica, Poesia de Aguilar Moraes

MÃE! Se vais ao Campo Santo
não te limites a orar e derramar o teu pranto
pelos mortos do teu lar.
Esquece por um momento
esta triste convenção.
Eleva o teu pensamento,
escuta teu coração e
ouviras e sentiras - voz de amor dos céus provinda,
o apoio que Deus te faz
pra que subas mais ainda,
para que na tua alma ardente
concentres a magoa, a dor profunda,
imensa candente,
das mães ausentes.
Que a flor trêmula e hialina dos olhos
não podem despetalar,
não podem lançar,
aos molhos no chão duro,
em que, a sonhar
dormem seus filhos gelados, o sono do Além;
Pra que, por esses abandonados,
cujas tumbas ninguém vê,
rezes também com fervor,
o coração em pranto imerso.
Para que exprimas a dor, a angústia,
o pesar sem nome,
Das Mães de todo o Universo!

Poesia de Aguilar Moraes
Publicado no Jornal O Dia, em Finados de 1947


Cemitério Santa Esperança

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Professora Dulce Serôa da Motta Cherubin

Outubro chegou com vários motivos para comemorações: dia da Padroeira do Brasil, dia da  Criança, dia do Professor e dia do Médico entre outros, todos merecedores de festas.
Hoje quero homenagear a mestra morretense que se destacou na nossa cidade pela dedicação e amor ao magistério, inteligência,  dignidade e honradez - Dona Dulce Serôa da Motta Cherubin.  
Seu falecimento foi noticiado no jornal " O Dia" , em 21 de março de 1956, cujo original integra a coleção do meu pai, e por motivos técnicos deixo de fotografar e publicar.


Morretes a saudosa mestra
O recente falecimento da profª Dulce Serôa da Motta Cherubin consternou profundamente a sociedade morretense onde a extinta gosava da mais alta consideração. Era filha do venerável casal Francisco Serôa da Motta Sobrinho e Maria Carmela Serôa da Motta, irmã dos srs Almir e Rubens Serôa da Motta, esposa do Sr. Guilherme Cherobin, mãe dos jovens Mauro, Marisa, Mirtes e Dulce Maria.
Dotada de rara Inteligência, dona de uma cultura e pendores pedagógicos que herdou dos seus pais e transmitiu aos seus filhos a professora Dulce fez por merecer as homenagens póstumas que lhe tributou o povo de Morretes.
Ao baixar o corpo à sepultura falou em nome de suas colegas a professora Terezinha Gnatta, diretora do Ginásio Estadual Rocha Pombo que pronunciou as seguintes palavras:
“Em nome do grupo escolar Miguel Scheleder, em nome do ginásio estadual Rocha Pombo e em nome da escola Técnica de Morretes cumpro o ingrato dever de prestar a nobre e boa colega d. Dulce Serôa da Motta Cherobin as nossas últimas homenagens.
Era meu dever dizer das qualidades de educadora da professora finada, mas elas já são sobejamente conhecidas dos colegas que com ela labutaram como também dos que desde a sua nomeação por decreto nº 1001, de 31 de dezembro de 1930, foram seus alunos e do povo morretense em geral. E não somente suas qualidades como educadora, mas sobretudo suas qualidades como mulher digna do respeito e veneração da sociedade  uma vez que foi filha dedicada, espôsa exemplar, mãe extremosa e amiga sincera e prestativa.
A ela devemos todos e principalmente Morretes lhe deve a imorredoura gratidão pelo muito que fez a Morretes. Por isso a sua memória reverenciada por todos permanecerá sempre em nossos corações.
Sejam as minhas palavras de homenagem um louvor a sua dedicação, a sua humildade e a sua inteligência. E que traduza o pranto sincero com que nos despedimos da grande colega e amiga.
Que Deus a acolha em seu seio!”
Em seguida falou despedindo-se da querida mestra a aluna Vera Lúcia Jazar, com a seguinte oração:
“Os ex-alunos da querida e dedicada professora d. Dulce, associando-se as manifestações de pesar pelo seu falecimento, como os demais rendem homenagem as suas preciosas virtudes. E para traduzir o que lhes vai pelo coração nada melhor do que exaltar a sua memória com a leitura de uma poesia que ela mesma escreveu e que dedicou a uma de suas filhas.” 

Mirtes
Mirtes, és tão pequena e delicada!
Tens, na graça infantil do teu sorriso,
Acesa uma alvorada,
Aberto um paraíso.

O meneio gentil dos teus gracejos,
A meiguice sem par dos teus olhinhos
Pedem toda a pureza dos meus beijos,
Querem toda a afeição dos meus carinhos.

Quando te vejo, trêfega criança,
Sinto toda a minh’alma embevecida.
Mirtes, a tua vida é uma esperança.
Esperança risonha de uma vida!

Da tua mamãe
DULCE

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Debutantes do Clube 7 de Setembro - Morretes

Com a publicação de três fotos dos bailes de debutantes no Clube 7 de setembro algumas pessoas pediram para eu identificar os participantes, portanto seguem os nomes na ordem das fotos.
Tenho dúvidas sobre alguns nomes e desconheço outros, por isso aceito colaboração de todos para completar esta publicação. Obrigada e abraços!!!!
 
Da esquerda para a direita: Marlene Trombini e Turibio Correia, Ivonete e Arnaldo Malucelli, Dinorah e Djalma Malucelli, Guiomar Malucelli e ... , Lúcia Scucato de Souza e Pedro Scucato, Laurice e Máximo Salomão, Lourdes Pinto e Olegário Pinto, Vivi e Batista Freitas.


Baile de debutantes - 1951
 
De baixo para cima, da esquerda para a direita:
Neusa Sundim, Leonice Oliveira, Ligia De Bona, Rene Robassa, ...?
Na segunda fila...? Marlize Gonçalves, Egle Malucelli e ao alto ...?e Geseli Antunes.



 Baile de debutantes - 1955
 
 Da esquerda para a direita: Valderez Pedrosa, Maria Tereza Terbeck, Rosi Marli de Souza, Giscelda Bittencourt de Souza, Tânia Cordeiro, à frente João Carlos de Souza, Iana Iara Costa Pinto, Eliane Brambilla De Bona, Noemi Licheski, ...? e Tânia de Freitas.
 
Baile de debutantes - 1963
 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Clube L.R. 7 de Setembro

VELHOS E SAUDOSOS TEMPOS
 
No dia 14 de dezembro de 1950 foi publicado em jornal o Edital de Concorrência para o aluguel de duas lojas na parte térrea do prédio novo do Clube Literário e Recreativo 7 de Setembro, na Rua XV de novembro em Morretes. Poucos de vocês que estão lendo esta postagem conheceram e puderam desfrutar o nosso querido "Clube 7"! Lamentável porque ali se realizaram animados bailes, desfiles de modas, solenidades de formatura, recitais, exibição de balés e outros eventos no mais agradável ambiente de amizade e confraternização!
Como tudo na vida passa o velho "sete" também passou, mas deixou marcas profundas em nossos corações.



CLUBE L.R. 7 de SETEMBRO

MORRETES
 
Edital de concorrência

Pelo presente Edital ficam quantos interesses tiverem, cientes de que se acha aberta concorrência pública para o aluguel, mediante contrato, das duas salas para loja na parte térrea do novo prédio da sede social, medindo a primeira 8 e ½ 20 mts e a segunda 7x20.
As propostas, em envelopes fechados e rubricados, deverão ser entregues até às 12 horas do dia 27 do corrente ao Sr. Gerente do Banco Comercial do Paraná, desta cidade que as depositará no cofre forte, para serem abertas, impreterivelmente, às 14 horas desse mesmo dia, no mesmo local.
Ditas propostas deverão conter como uma das condições o aluguel mínimo da Cr$1.500,00 para a primeira sala e Cr$2.000,00 para a segunda.
À Diretoria se reserva o direito de condicionar a aceitação e idoneidade moral e financeira do proponente.
Melhores informações poderão ser prestadas verbalmente em Morretes pelo sr. Presidente do Clube.
Sala da Secretaria, aos 14 de dezembro de 1950
MARCOS LUIZ DE BONA
Secretário
Baile de debutantes Clube 7 de Setembro 1951
Baile de debutantes Clube 7 de setembro 1955
 
Baile de debutantes - Clube 7 de Setembro 1963
 
 
Evento no Clube 7 de Setembro

Clube 7 de Setembro

Clube 7 de Setembro
Formatura do Ginásio Estadual Rocha Pombo 1955

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Minha pergunta: onde está e como está a Biblioteca Municipal de Morretes?

Assinado convênio entre a Biblioteca Pública do Paraná e a Prefeitura de Morretes

Foi assinado ontem, no Gabinete do Diretor da BPP, um convênio com a Prefeitura Municipal de Morretes através do qual o primeiro órgão se compromete a organizar o acervo atual e futuro da Biblioteca Pública daquela cidade, cabendo, ao segundo, a continuação de sua manutenção.
Pelo convênio a Prefeitura de Morretes receberá orientação da BPP, através da Divisão de Extensão, para reorganização da Biblioteca Municipal, tendo em vista a planificação técnica dos serviços em beneficio de sua maior eficiência, rendimento e amplitude do raio de alcance da respectiva ação educacional.
Treinamento
A BPP se compromete ainda a dar treinamento aos funcionários da Biblioteca de Morretes para complemento de sua coleção, podendo logo após a assinatura do atual convênio prestar assistência para elaboração do regulamento interno. O convênio ontem celebrado terá duração indeterminada tendo sido assinado pelo prefeito Sidney Antunes de Oliveira e professor Osvaldo Piloto, diretor da BPP.
O ato de assinatura foi prestigiado pelo professor Raul Gomes, professora Marcelina Dantas, chefe da Divisão de Extensão e bibliotecária Lucienne Resenthal, chefe de Divisão, Nancy Correa, chefe da Divisão Central e Nancy Santos Lima, chefe da Divisão Infanto-Juvenil e grande número de convidados.


Outubro de 1964

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A BIBLIOTECA DO INSTITUTO M. TROMBINI SERÁ FECHADA!



Dias atrás, curtindo o facebook, deparei com esta notícia assustadora: MORRETES ESTÁ DE LUTO! Não se tratava de pessoa ou parente falecido e sim do fechamento da Galeria Mirtillo Trombini  juntamente com a biblioteca Nosso Cantinho de Leitura! Tinha conhecimento dessa possibilidade, mas nunca pensei que se concretizasse. No último fim de semana estando em Morretes vi o prédio que abrigava o belíssimo acervo do pintor Mirtillo  Trombini em reforma,  a poeira e sujeira acumuladas sobre os livros e computadores  que ainda se encontram no recinto,  e sem entender me pus a pensar como foi possível acabar com tão bela e proveitosa fonte de conhecimentos. Soube mais tarde que as telas do artista podem ser admiradas no instituto que leva o nome do nosso conterrâneo, mas o descaso para com a biblioteca é imperdoável! Com a biblioteca e com as funcionarias Elizabeth e Lucimara portadoras do diploma de Bibliotecárias cidadãs, pelo curso de Biblioteca Cidadã, oferecido pela Biblioteca Pública do Paraná.
A biblioteca, de caráter filantrópico sem verbas para aquisições, nasceu e cresceu graças ao projeto “O Brasil para o nosso cantinho de leitura”. Idealizado por Elizabeth rendeu muitas doações vindas de várias partes do Brasil e de diversos cantos do mundo graças aos turistas que por lá passaram. Tem acervo de 30.000 títulos catalogados e classificados, composto de literatura e jogos infantis, coleção de referência, livros didáticos, romances, revistas, algumas obras raras e até um exemplar do Alcorão em português enviado diretamente do Oriente Médio. Atende 1.850 leitores devidamente cadastrados, com consulta local e empréstimos para pesquisas escolares municipais, estaduais e universitárias para todas as idades.
Na minha opinião o abandono do acervo do Nosso Cantinho é tão absurdo que inconscientemente redigi todo texto usando o verbo no tempo presente, como se a biblioteca ainda existisse!
Por Ligia De Bona









quarta-feira, 8 de abril de 2015

Humberto Malucelli, o Amigo por M.L.De Bona

 
Da velha Itália, para ajudar a fazer a grandeza do Brasil, vieram os seis irmãos Malucelli, no ano de 1876. Radicando-se em Morretes, Marcos, Batista, Lourenço, João, Antonio e Domingos não foram meros expectadores das lutas pela sobrevivência das famílias estrangeiras, que desembarcaram julgando ser este país a Terra da Promissão. Eles sentiram, como os outros, a desproteção do governo, a dureza da terra, a adversidade do clima. 
Uma dádiva, porém, trouxeram do além-mar: o amor pelo trabalho, que foi a razão de ser de suas vidas.
A família foi se tornando numerosa; os seis irmãos, filhos do tronco João-Margarida, foram se tornando, por sua vez, chefes de outras tanta grandes famílias, constituídas em sua maior parte de filhos de homens que, hoje, já na terceira geração, no Brasil, expandem o nome Malucelli como padrão de honra.
A família, no início, teve um chefe na figura patriarcal do velho Marcos. A sua atuação foi enérgica e serena, na condução daqueles que aos poucos, com trabalho continuado, deixando cair seu suor na terra dadivosa, levantaram o patrimônio extraordinário dos dias atuais.
Humberto Malucelli
Marcos Malucelli, que é hoje nome de rua em Morretes, faleceu no ano de 1929. Desde então a empresa, por sua organização, não mais requereu a existência de um chefe que fosse ao mesmo tempo chefe da família. Todavia, vários homens do clã destacaram-se pelos negócios e equilíbrio de conduta, merecendo situações de comando.
Há pouco faleceu Humberto Malucelli. Filho do subtronco João-Maria. O seu desaparecimento causou dolorosa impressão no seio da família, onde sua voz, ponderada e sensata, era sempre acatada. A bondade era o traço predominante do seu caráter. O seu trabalho, desde os duros tempos da lavoura até os atuais, onde exerceu cargos de direção nas indústrias e funções públicas de alta relevância, inclusive a de Diretor de Departamento e Deputado Estadual, foi sempre no sentido do bem comum, sempre preocupado com a boa administração, com a assistência social e com o prestigiamento de toda e qualquer iniciativa de cunho coletivo.
Sua educação possibilitava o trato lhano e bondoso com todas as pessoas que dele se aproximavam; o seu grande coração fazia-o O Chefe de Família amorosíssimo, de todos conhecido, junto de sua veneranda mãe, de sua virtuosa esposa, prendadas filhas e queridos netos.
Mas, para nós outros, das relações de amizade do saudoso Humberto, o vocábulo mais inesquecível será o de Amigo, porque junto dele este termo não era formal. Esta palavra encerrava afeição. A dedicação e a estima a que se evidenciava tanto nas horas alegres como nas amargas, dos que com ele conviviam.
A nossa saudade será grande, porém, amenizada pela nossa certeza de que a memória de Humberto Malucelli será sempre reverenciada entre seus familiares, seus amigos e entre todos aqueles que se espelharem no belo exemplo de sua vida.

Publicado no “Correio do Paraná
Curitiba, março de 1963.


 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Professora Gabriela de Souza Nogueira, por M.L.De Bona

O centenário de nascimento de uma personalidade de Morretes não passará despercebido, nesta cidade, ciosa que é dos seus vultos ilustres e das suas tradições de cultura.
Comemoram-se neste mês os cem anos da professora de muitas gerações de Morretenses – Gabriela de Souza Nogueira - , a qual acaba de merecer a designação de seu nome em uma das ruas da cidade e terá, ainda, fotografia e placa de bronze no antigo prédio escolar, na  rua Coronel Modesto.
Temos bem presente em nossa memória a figura bondosa e simpática da professora quando, nos idos de 1925, posou para uma fotografia, em grupo, hoje histórica, ao lado de suas colegas  e tendo ao redor a nossa turma de alunos do Grupo Escolar Miguel Scheleder. Dona Gabriela ali está, sentada, em postura muito digna, ao lado da diretora Dona Maria Luiza Burtz Merkle e da professora Dona Anita Gomes Rohn, estas também sentadas. Logo atrás, em pé, as professoras Dona Tereza Madaloso Zilli, Dona Maria da Luz Siqueira e Dona Casta Carmem Gonçalves, e,. ao fundo, aparecendo na janela, a figura popular da velha zeladora Dona Hermínia Pereira.
Dona Gabriela, uma das primeiras normalistas da antiga Escola Normal de Curitiba, ofereceu a sua vida inteira ao sacerdócio do ensino e por isso fez-se merecedora destas homenagens que lhe prepararam dedicadas ex-alunas, diretores do Centro Morretense de Curitiba, autoridades de Morretes, amigos e admiradores.
Filha do capitão Francisco Antônio da Costa Nogueira e de Dona Adelaide Constança de Souza, Gabriela Nogueira estava destinada ao exercício do magistério, por ligações muito íntimas com figuras da história do ensino no Paraná. Sua tia Dona Geraldina do Pilar e Souza foi a primeira professora com exercício legal, em Morretes, pois para efetivá-la , movimentou-se a Câmara  da então Vila, sob a presidência do Coronel Modesto Gonçalves Cordeiro para, em sessão de 20 de abril de 1846, designar banca para examiná-la, composta dos cidadãos  Francisco da Silva Neves e Antonio José de Araújo, este, mais tarde, Comendador do Império.
Rita Ana de Cássia, tia-avó de Dona Gabriela, foi professora por concurso realizado em Curitiba, sob a presidência do magistrado paulista. Por outro lado, uma sua parenta, Dona Júlia de Souza Wanderley Petriich, foi educadora no Estado, merecendo ereção de busto em praça pública na capital.
As homenagens que os Morretenses, com carinho e saudade, prestam à querida mestra, tem essa virtude esplêndida de perpetuar a memória de pessoas que, pelos belos exemplos de suas vidas, fizeram do seu procedimento uma regra de procedimento universal.

Professora Gabriela de Souza Nogueira

 Publicado na Gazeta do Povo
Curitiba, dezembro de 1962.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Milagres de N.S. do Porto por M.L. De Bona


As duas telas a óleo que se encontram na Igreja Matriz (infelizmente em lugar de pouco destaque), de autoria de meu irmão Th. De Bona, representam o cumprimento de uma promessa feita ainda quando o pintor cursava a Real Academia de Veneza, Itália.
Recebida a graça, teve pressa o artista, tão logo regressou da Península, em cumprir a promessa que era feita ao mesmo tempo pelos nossos demais irmãos Santos, Antônio, Tereza e Maria.
O projeto da pintura inicial, era um fundo de altar, o que se tivesse sido concretizado seria uma obra de inestimável valor artístico para Morretes. Infelizmente havia sido doado recentemente o novo altar pelo Dr. Marcelino Nogueira e este era muito alto - requeria cortá-lo - o que não foi encorajado pelos responsáveis de então.
Seria um trabalho idêntico ao que o artista tinha feito para o altar de Santo Antônio, da Igreja de Longarone, Beluno, berço de nossos pais.
A Tempestade
Surgiu então a ideia de pintar duas telas, uma para cada lado do interior da Igreja (nave), representado dois milagres da Virgem. Assim é que foi realizada a primeira composição que fixa o instante em que o Sr. Júlio Villa Nova e seus filhos Livito e Italia elevaram preces e foram salvos da fúria do mar após a tempestade ter partido ao meio o mastro de sua frágil embarcação, quando iam a festa de N.S. do Rocio, em Paranaguá.
O segundo quadro mostra o momento angustioso em que tendo orado a N.S. do Porto o Sr. 
O Raio

Bepim Malucelli e seus primos, não se sabe como, impulsionado para outro abrigo, caindo segundos após fulminante raio sobre a bananeira que lhes servia de primitivo amparo de um avassalador furacão. 

No dia da entrega desses louvores artísticos o Sr. Clemente Consentino, de saudosa memória, fez o agradecimento em nome da Irmandade. Nesse mesmo dia o famoso escultor João Turim, nosso conterrâneo, ofertou uma Mater Dolorosa, baixo relevo que é um primor de arte e de expressão.
Foi assim que a Igreja Matriz de Morretes recebeu essas obras a que se deve dar o maior valor, por serem originais dos autores, e não simples litografias ou cópias, como se vê comumente nos Templos.

Artigo de M.L. De Bona publicado no jornal Nhundiaquara,
em 22 de dezembro de 1954